O que é Gorilla Glass e as diferenças entre as versões

Introdução

Gorilla Glass é um tipo de vidro desenvolvido por uma empresa de nome Corning que torna telas de celulares, tablets, notebooks, smartwatches e outros dispositivos mais resistentes a danos causados por quedas ou impactos.

Uma tela com Gorilla Glass não é inquebrável, mas, na comparação com vidros convencionais, apresenta menos chances de avaria acidental. E quão resistente é o Gorilla Glass? Isso depende da versão da tecnologia.

Conheça as principais versões e alguns detalhes do funcionamento do Gorilla Glass a seguir. Se preferir, acesse diretamente o tópico de sua preferência nos links abaixo:

- Como o Gorilla Glass funciona?
- Como o Gorilla Glass surgiu?
- Gorilla Glass 1
- Gorilla Glass 2
- Gorilla Glass 3 e 3+
- Gorilla Glass 4
- Gorilla Glass 5
- Gorilla Glass 6
- Gorilla Glass Victus

Vidros da Corning (imagem: divulgação)
Vidros da Corning (imagem: divulgação)

Como o Gorilla Glass funciona?

Gorilla Glass é um tipo de vidro ou cristal que pode ser empregado em telas de diversos tipos de dispositivos, mas encontra utilidade principalmente em smartphones. Com essa tecnologia, as chances de a tela quebrar ou ser riscada em caso de queda, pancada ou atrito com outros objetos diminuem bastante na comparação com painéis sem esse tipo de proteção.

Como isso é possível? O vidro do Gorilla Glass consiste em uma fina camada de um material chamado aluminossilicato alcalino. Durante a fabricação, essa superfície é endurecida por meio de um processo de troca de íons.

Funciona assim: o painel de vidro é submetido a um tanque com sal ajustado para uma temperatura de 400º C, aproximadamente; quando isso ocorre, os pequenos íons de sódio existentes no vidro acabam sendo substituídos por íons de potássio oriundos do sal derretido.

Os íons de potássio, por serem maiores, ocupam mais espaço e, quando o painel é resfriado, acabam pressionando uns aos outros, gerando uma camada de "estresse compressivo" que torna o vidro mais resistente.

De acordo com a Corning, "a composição do Gorilla Glass permite que os íons de potássio se difundam mais profundamente na superfície, criando uma camada de estresse compressivo mais espessa".

Como o Gorilla Glass surgiu?

A tecnologia Gorilla Glass é um dos itens que diferenciaram o iPhone em seu lançamento e teve tanta importância para a linha que a história de sua implementação foi contada no livro Steve Jobs, A Biografia, de Walter Isaacson — o fundador da Apple esteve diretamente envolvido na adoção da tecnologia em escala industrial.

Jobs queria que a tela do iPhone utilizasse vidro em vez de outro material transparente. O problema é que vidro é um componente que pode sofrer riscos ou rachaduras com relativa facilidade. Por conta disso, ele passou a procurar por algum tipo de vidro altamente resistente.

Em 2006, Steve Jobs encontrou Wendell Weeks, que dirigia a Corning. Jobs explicou que tipo de vidro procurava e, para a sua felicidade, Weeks revelou que a sua empresa trabalhava, desde 2005, em uma tecnologia que poderia atender à sua necessidade. Bingo!

Foi assim, basicamente, que o Gorilla Glass apareceu como um tecnologia com aceitação em larga escala. Jobs só teve o trabalho de convencer Weeks a fabricar os vidros para o iPhone. Apesar das incertezas que o dirigente da Corning manifestava sobre a ideia, o primeiro lote foi entregue depois de seis meses, aproximadamente.

Hoje, é possível encontrar a tecnologia Gorilla Glass em smartphones, smartwatches, tablets e outros dispositivos produzidos por diversos fabricantes.

Teste de vidro Gorilla Glass em laboratório (imagem: Corning)
Teste de vidro Gorilla Glass em laboratório (imagem: Corning)

Gorilla Glass 1

A primeira versão comercial do Gorilla Glass surgiu em 2006, mas só se tornou amplamente conhecida em 2007, quando o primeiro iPhone foi lançado. Os celulares da época costumavam ter tela com camadas de plástico, mas Steve Jobs queria um painel de vidro capaz de resistir a arranhões.

O primeiro iPhone foi projetado para também contar com tela de plástico, mas a preocupação de Jobs com a possibilidade de arranhões estragarem o componente fez a Apple adotar a solução da Corning, que viria então a ser conhecida mais tarde como Gorilla Glass 1.

Depois da Apple, a tecnologia foi empregada em vários dispositivos de outras companhias.

Vale destacar que, no primeiro iPhone, o vidro com Gorilla Glass tem 1,3 mm de espessura, mas essa medida pode variar entre 0,5 mm e 2 mm, dependendo da finalidade do painel.

Gorilla Glass 2

O padrão que ficou conhecido como Gorilla Glass 2 foi introduzido pela Corning em 2012. Na comparação com a primeira geração, a nova versão trouxe uma redução de 20% na espessura do vidro, característica que contribuiu para o desenvolvimento de dispositivos um pouco mais finos, a exemplo de smartphones como Samsung Galaxy S3 e Google Nexus 4.

Note que a espessura reduzida não diminuiu a capacidade de resistência do material. Na verdade, o Gorilla Glass 2 demonstrou suportar pressão de até 50 kg em experimentos laboratoriais.

Gorilla Glass 3 e 3+

Foi em 2013 que a Corning apresentou o Gorilla Glass 3. Nessa versão, a companhia priorizou o aumento da resistência do vidro, atributo que foi conseguido graças à implementação de uma tecnologia chamada Native Damage Resistance (NDR) — algo como "Resistência Nativa a Danos".

Com esse recurso, o Gorilla Glass 3 consegue ser até três vezes mais resistente a riscos do que a geração anterior. Além disso, essa versão reduz em até 40% os riscos visíveis na superfície da tela.

O Gorilla Glass 3 marcou presença em celulares como Samsung Galaxy S4 e Motorola Moto X.

Em 2019, a Corning apresentou o Gorilla Glass 3+, versão que, basicamente, alia a resistência a riscos da terceira geração com a resistência aumentada a quedas presente na quarta versão da tecnologia.

O Gorilla Glass 3+ foi desenvolvido com foco em smartphones básicos e intermediários.

Gorilla Glass 4

O Gorilla Glass 4 foi apresentado em 2014. Até então, a tecnologia esteve focada principalmente em proteger a tela contra arranhões, embora já houvesse alguma resistência a quedas. Mas, na quarta geração, a Corning tratou de deixar o vidro ainda mais forte para aumentar a tolerância a impactos.

De acordo com a companhia, um painel Gorilla Glass 4 que cair de uma altura de 1 m resistirá a danos em 80% das vezes em que isso acontecer. Na comparação com a geração anterior, a tecnologia tem duas vezes mais rigidez.

O Samsung Galaxy S6 e o Galaxy S6 Edge são exemplos de celulares que contam com telas reforçadas com Gorilla Glass 4.

Imagem promocional do Gorilla Glass 4 (imagem: Corning)
Imagem promocional do Gorilla Glass 4 (imagem: Corning)

Gorilla Glass 5

Anunciado em 2016, o Gorilla Glass 5 traz ainda mais foco sobre o aspecto da resistência. De acordo com a Corning, a quinta geração da tecnologia é capaz de fazer um vidro com espessura de apenas 0,6 mm suportar quedas de alturas de até 1,6 m sem sofrer danos em 80% das vezes em que isso acontecer.

A empresa também frisa que, na comparação com vidros de aluminossilicato produzidos por outros fabricantes, o Gorilla Glass 5 proporciona até duas vezes mais resistência a arranhões.

O Gorilla Glass 5 foi empregado em smartphones como Samsung Galaxy S9 e LG G7 ThinQ.

Gorilla Glass 6

Em meados de 2018, a Corning revelou o Gorilla Glass 6. A sexta geração seguiu a tradição de ser mais resistente que as anteriores, com a diferença de que, nessa versão, o objetivo principal foi o de fazer o vidro suportar múltiplas quedas sem sofrer danos.

A Corning explica que o Gorilla Glass 6 conta com uma composição que torna vidros do tipo duas vezes mais fortes na comparação com a geração anterior.

Considerando uma altura de 1 m, os testes da companhia mostraram o Gorilla Glass 6 suportando 15 quedas seguidas sem ser danificado.

Outro teste mostrou o vidro saindo ileso de uma queda de 1,6 m em superfícies duras e ásperas.

O Samsung Galaxy S10 e o Sony Xperia 1 são exemplos de dispositivos que contam com o Gorilla Glass 6.

Gorilla Glass Victus

Em 2020, o Gorilla Glass Victus apareceu como o sucessor do Gorilla Glass 6, apesar de a Corning ter quebrado a tradição de numerar as versões. A nova tecnologia veio para reforçar ainda mais a resistência a quedas e riscos em relação às gerações anteriores.

Nas palavras da Corning, o Gorilla Glass Victus é capaz de suportar quedas em alturas de até 2 m e, na comparação com o Gorilla Glass 6, aguentar duas vezes mais pressão, característica que diminui as chances de arranhões. Em relação a vidros de aluminossilicato de outros fabricantes, a resistência a riscos aqui é até quatro vezes maior.

O Samsung Galaxy Note 20 e o Asus ROG Phone 5 são exemplos de smartphones que trazem o Gorilla Glass Victus entre seus diferenciais.

Finalizando

É importante deixar claro que as versões do Gorilla Glass listadas aqui consistem nas principais variações da tecnologia lançadas até a data de publicação deste texto.

A Corning trabalha com vários outros produtos, a exemplo dos padrões Gorilla Glass DX e Gorilla Glass DX+, voltados a dispositivos como smartwatches e smartbands (relógios e pulseiras inteligentes, respectivamente).

Também é válido salientar que a Corning não é a única companhia que produz vidros resistentes. No entanto, ela colhe os frutos de ser a mais popular no segmento.

Por fim, vale reforçar: todas as versões do Gorilla Glass trazem alguma proteção para a tela de um dispositivo, mas nenhuma delas é inquebrável, portanto, continua sendo importante tomar o máximo possível de cuidados para proteger seu celular, tablet e afins.

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Publicado em 26_03_2021.

Emerson Alecrim Autor: Emerson Alecrim
Graduado em ciência da computação, produz conteúdo sobre tecnologia desde 2001. É especializado em temas como TI, dispositivos móveis, internet e negócios.
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