10 dicas para comprar um celular Android

Introdução

Se antes os celulares só faziam chamadas e enviavam ou recebiam mensagens de texto, hoje eles também tiram fotos, gravam vídeos, reproduzem filmes, tocam música e executam aplicativos dos mais diversos tipos. Mas há tanta variedade de modelos que uma pergunta acaba sendo inevitável: como escolher um celular (smartphone) Android?

Eu, Emerson Alecrim, testo celulares há anos. Com base nessa experiência, elaborei algumas dicas que podem te ajudar a escolher o melhor aparelho Android para as suas necessidades.

Se preferir, vá direto ao tópico do seu interesse:

1. Tela: tipo, tamanho e resolução
2. Processador: o item que determina a categoria do celular
3. Memória RAM: Memória RAM: no mínimo, com 4 GB
4. Armazenamento: quanto mais, melhor
5. Câmeras: quantidade e megapixels
6. Bateria: capacidade e recarga rápida
7. USB, Wi-Fi, Bluetooth e NFC
8. Resistência, proteção contra água e Gorilla Glass
9. A marca do celular importa
10. O celular não precisa ser de geração atual

1. Tela: tipo, tamanho e resolução

Há dois tipos principais de telas para celulares no mercado: LCD e OLED / AMOLED, com cada tecnologia podendo ter subtipos, por assim dizer.

Painéis OLED / AMOLED exibem cores mais vívidas e preto profundo, por exemplo, razão pela qual tendem a equipar celulares mais sofisticados.

A tecnologia LCD, por sua vez, não tem tanta profundidade de preto e pode ter visualização um pouco prejudicada quanto o usuário não está exatamente de frente para o aparelho. Por outro lado, telas LCD são mais baratas e aparecem com frequência em smartphones de entrada ou intermediários, embora também possam equipar modelos avançados.

Tela LCD de um smartphone Xiaomi
Tela LCD de um smartphone Xiaomi

Eu prefiro e recomendo celulares com OLED / AMOLED, mas há ótimas opções com LCD. Se você optar por esta última tecnologia, prefira painéis do tipo IPS LCD (ou semelhante, como LPTS LCD), pois, via de regra, essa variedade oferece mais qualidade de imagem.

Já o tamanho é uma questão de gosto. A maioria dos smartphones atuais tem telas com dimensões variando entre 5 e 7 polegadas.

Mas fique atento ao parâmetro da resolução: para telas com 6 polegadas ou mais, dê preferência a modelos que contam com resolução full HD ou full HD+ (1080p). Visores HD / HD+ (720p) também são bons, mas a resolução full HD permite à tela exibir mais detalhes.

2. Processador: o item que determina a categoria do celular

No universo do Android, há três grandes fabricantes de processadores (mas não as únicas): Qualcomm, MediaTek e Samsung. A primeira é líder no segmento e seus chips são divididos em quatro categorias principais:

  • Snapdragon 4xx: para smartphones de entrada ou intermediários básicos;
  • Snapdragon 6xx: para smartphones intermediários;
  • Snapdragon 7xx: para smartphones intermediários premium;
  • Snapdragon 8xx: para smartphones de alto desempenho.

Se você procura um smartphone básico, um modelo com chip Snapdragon 4xx deve dar conta do recado. Se você quer um celular arrojado, mas não muito caro, opções com Snapdragon 6xx e Snadpragon 7xx são interessantes. Modelos com Snapdragon 8xx são uma opção para quem busca um smartphone com bastante capacidade de processamento.

Processadores da MediaTek quase sempre equipam celulares de entrada ou intermediários, portanto, costumam ser uma opção para quem prioriza custo-benefício em vez de desempenho.

No caso da Samsung, os chips da marca recebem o nome Exynos e, frequentemente, equipam smartphones da própria empresa. Há várias opções, com o Exynos 2100 aparecendo como o processador mais avançado da empresa na data de publicação deste texto.

Em todos os casos, a dica é pensar no que você espera do smartphone (uso básico, algumas tarefas avançadas ou alto desempenho) e optar por um modelo com chip correspondente. Vale pesquisar pelo nome do processador no Google para saber em qual categoria ele se encaixa.

Obviamente, quanto mais avançado for o processador, mais caro tende a ser o celular.

3. Memória RAM: no mínimo, com 4 GB

Para os padrões atuais, convém que o smartphone tenha, pelo menos, 4 GB de RAM. E 6 GB ou 8 GB? Essas são capacidades muito mais interessantes, pois dão abertura para que aplicações pesadas (que exigem muitos recursos), especialmente jogos, sejam executadas com mais fluidez.

Uma quantidade alta de RAM também facilita a alternância entre aplicativos abertos, bem como a execução de tarefas simultâneas (deixar um app de música executando em segundo plano enquanto você realiza outra tarefa, por exemplo).

Mais de 8 GB de memória RAM não é interessante? Claro que é. O problema é que altas quantidades podem elevar o custo do aparelho e nem sempre trazem um ganho de desempenho perceptível.

Para a maioria dos usuários, opções variando entre 4 GB e 8 GB de RAM estão de bom tamanho.

4. Armazenamento: quanto mais, melhor

Capacidade de armazenamento de dados. Quanto mais o smartphone tiver, melhor. Por quê? Simples: fotos, vídeos e aplicativos, por exemplo, podem ocupar muito espaço, por isso, o ideal é contar com uma quantidade tão generosa de armazenamento quanto possível.

Para os padrões atuais, é recomendável adquirir um celular que tenha, no mínimo, 64 GB de armazenamento, mas 128 GB (ou mais) é o número ideal.

Se o celular que está na sua mira tem 64 GB ou menos, verifique se, em compensação, o aparelho tem slot para cartão microSD.

5. Câmeras: quantidade e megapixels

Hoje, é muito difícil encontrar um smartphone que traz uma única câmera na traseira. A maioria dos modelos oferece três ou quatro câmeras ali (ou mais). Elas podem servir principalmente para:

  • Profundidade: ajuda a fazer fotos com fundo desfocado;
  • Macro: própria para fotos muito próximas do objeto;
  • Grande angular (ultrawide): faz a câmera enquadrar uma área maior do que o convencional.

Essas opções são interessantes, mas a câmera principal é a mais importante, afinal, é a que você vai usar com mais frequência. Por isso, se informe sobre as características dela.

O parâmetro mais destacado costuma ser a quantidade de megapixels do sensor da câmera. Quanto maior esse número, mais resolução a imagem tem e, com isso, maior é a ampliação da foto sem que esta perca nitidez.

Celular Motorola com quatro câmeras na traseira
Celular Motorola com quatro câmeras na traseira

Mas, ao contrário do que muita gente pensa, a lógica de "quanto mais megapixels, melhor a câmera" não é verdadeira, pois a qualidade do componente é definida por vários outros fatores.

Por isso, convém pesquisar pelo modelo do celular que te interessa para saber se avaliações da câmera (e de outras características) foram publicadas em sites especializados, fóruns e afins.

É válido contar com uma quantidade mínima de megapixels, porém. Para a câmera traseira principal, vale considerar um sensor com pelo menos 12 megapixels; para a câmera frontal (de selfies), um sensor com pelo menos 8 megapixels é o ideal.

6. Bateria: capacidade e recarga rápida

Como a maioria dos smartphones Android fabricados atualmente é relativamente grande, é comum que eles tenham baterias com capacidades generosas. Para os padrões atuais, prefira modelos que tenham, pelo menos, 4.000 mAh.

Verifique também se o celular tem suporte a recarga rápida. Essa característica assegura que o procedimento não demorará várias horas para ser concluído.

Também é importante verificar se um carregador rápido acompanha o produto: não é raro o smartphone suportar esse tipo de tecnologia, mas trazer um carregador comum.

Uma observação importante: em 2020, alguns fabricantes, como Apple e Samsung, passaram a não inserir carregador na embalagem de seus celulares. Se você tiver que comprar um carregador por causa disso (ou se você perdeu o seu), não se esqueça de checar se o acessório proporciona recarga rápida.

7. USB, Wi-Fi, Bluetooth e NFC

A não ser por alguma rara exceção, todo celular Android traz porta USB, Wi-Fi e Bluetooth. Mas é importante observar as versões dessas tecnologias, pois padrões muito antigos sugerem que o celular usa componentes defasados. Além disso, tecnologias mais recentes tendem a oferecer mais recursos funcionais.

Assim, prefira celulares que tenham:

Um detalhe não menos importante: verifique se o smartphone tem NFC. Essa tecnologia permite o uso de serviços de pagamento como Google Pay e Samsung Pay, por exemplo.

Conexão USB-C em um smartphone Realme
Conexão USB-C em um smartphone Realme

8. Resistência, proteção contra água e Gorilla Glass

Se você se considera uma pessoa "desastrada" ou gosta de se prevenir tanto quanto possível, pode ser uma boa ideia adquirir um smartphone que traga itens de resistência.

Alguns modelos têm certificado IP67 ou IP68, por exemplo, que garantem alguma resistência contra poeira e água (pode ser útil para evitar danos se o dispositivo cair em uma poça d'água, por exemplo).

Do mesmo modo, alguns aparelhos têm estrutura reforçada para diminuir o risco de danos em caso de queda. Alguns também contam com proteção Gorilla Glass ou uma tecnologia similar para diminuir o risco de a tela sofrer arranhões ou danos acidentais.

Note que nenhuma dessas características garante 100% de resistência. Elas são apenas um reforço. Por conta disso, o uso de capa protetora no celular pode valer a pena, mesmo que você não goste desse tipo de acessório.

9. A marca do celular importa

Dê preferência por marcas que têm tradição na fabricação de celulares e atuação no território brasileiro (se você vive no Brasil, é claro). Marcas estabelecidas costumam ter cronogramas de atualização do Android consistentes — isso é muito importante para a segurança do dispositivo.

Além disso, essas marcas podem ter um serviço de assistência técnica mais abrangente para cobertura de garantia e suporte técnico ao usuário.

10. O celular não precisa ser de geração atual

Celular topo de linha da Samsung
Celular topo de linha da Samsung

Boa parte das linhas de celulares é renovada a cada ano — em alguns casos, essa atualização acontece em intervalos inferiores, de seis meses, por exemplo. Mas, não, você não precisa comprar o celular mais recente. Um modelo de geração anterior pode te atender bem e, frequentemente, traz o benefício de custar muito menos do que o modelo atual.

Essa dica é válida principalmente para smartphones high-end ou topos de linha. Por serem mais sofisticados, esses modelos costumam ser caros. No entanto, no mercado de celulares Android, é comum que lojas e fabricantes baixem o preço do modelo anterior para esvaziar os seus estoques.

Embora o modelo antecessor possa ser menos interessante do que o atual em alguns aspectos, é bastante provável que ele consiga oferecer um bom conjunto de recursos relevantes e receber suporte do fabricante por algum tempo, além de custar menos.

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Publicado em 05_08_2021.

Emerson Alecrim Autor: Emerson Alecrim
Graduado em ciência da computação, produz conteúdo sobre tecnologia desde 2001. É especializado em temas como TI, dispositivos móveis, internet e negócios.
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