2013
04
fev

Os números da Campus Party Brasil 2013

A sexta edição da Campus Party Brasil (CPBR6) chegou ao fim neste domingo (03/02/2013) e, como de hábito, a organização do evento divulgou alguns números que resumem bem a sua grandiosidade. Mas, ao mesmo tempo, alguns destes dados ajudam a indicar o que deve ser mudado nos próximos anos. Sim, porque pesando acertos e falhas, o saldo desta edição foi positivo, mas alguma coisa na fórmula do evento parece já não funcionar como antes.

Campus Party 2013

O primeiro sinal de alerta aparece na quantidade de campuseiros: a Campus Party 2013 chegou a 7.631 participantes, o maior número desde que o evento teve início no Brasil, mas havia 8 mil vagas disponíveis. Até 2012, o número máximo de inscrições era atingido rapidamente, mas neste ano, pagar pelo menos 300 reais pelo ingresso fez com que muita gente desistisse da ideia.

Este cenário também foi refletido na área de camping: de acordo com a organização, 5,5 mil participantes adquiriram barracas, mas não era difícil ver que muitas delas permaneceram vazias durante todo o evento. Talvez tenha sido por isso que a segurança da Campus Party me impediu de fazer fotos nesta área.

Mas vamos aos outros números:

  • A área total do evento teve cerca de 64 mil metros quadrados;
  • Foram necessários 40 mil metros de cabos de rede para cobrir todo o lugar;
  • Para a rede elétrica, por sua vez, foram necessários 60 mil metros de cabos;
  • 1.550 pessoas estiveram envolvidas na montagem e organização da Campus Party;
  • Foram gastos 22 milhões de reais na realização do evento (será?);
  • Faixas etárias dos campuseiros:
    • Até 17 anos: 6,6%;
    • Entre 18 e 29 anos: 66,6%;
    • Entre 30 e 39 anos: 17,7%;
    • Entre 40 e 49 anos: 5,9%;
    • Com 50 anos ou mais: 3,2%.
  • Os três estados brasileiros com o maior número de inscritos:
    1. São Paulo: 46,45%;
    2. Minas Gerais: 5,8%;
    3. Rio de Janeiro: 4,79%.

A organização da Campus Party também estima que cerca de 160 mil pessoas passaram pela Zona Expo, a área de exposição do evento que é aberta gratuitamente a todo o público. Mas eu tenho as minhas dúvidas: de fato, muita gente circulou por ali, mas em comparação com as edições passadas, esta parte me pareceu mais vazia. Se eu estiver certo, é possível que o fato de só ter havido transporte entre o Metrô e o Anhembi Parque neste domingo tenha contribuído para isso.

Eis algumas fotos da Zona Expo (destaque para a enorme área da Intel):

Na arena em si, onde efetivamente a Campus Party acontece, não é possível negar: fizeram um bom trabalho de organização! Para começar, o som de cada palco interferiu muito menos nos outros (este era um problema que me irritava profundamente nas edições passadas). Além disso, não houve queda de energia ou falhas significativas na rede, disponibilizaram vários bebedouros aos participantes, ocorreu pouco ou nenhum atraso nas apresentações e a segurança estava melhor, embora eu tenha visto algumas falhas (gente entrando na arena sem identificação, por exemplo).

Fotos da entrada e da arena em si:

O aspecto que me faz pensar que a fórmula da Campus Party precisa ser revista diz respeito à programação. Foram mais de 500 horas de conteúdo, segundo a organização, boa parte delas tendo excelente qualidade, na minha opinião, mas em muitas o público participante era reduzido e, não raramente, se via expectadores saindo do local dez ou quinze minutos depois do início da apresentação.

Os motivos para isso são diversos: conflitos de horários (houve várias palestras ao mesmo tempo), apresentações que não correspondiam exatamente aos temas propostos (razão pela as pessoas iam embora), assuntos repetitivos (se você não acrescentar nada de novo, as pessoas desistem), abordagens muito básicas de determinados temas (eu mesmo não consegui assistir a nenhum debate na íntegra) e assim por diante.

Acho que, para as próximas edições, seria o caso de realizar menos palestras. A princípio, com menor quantidade, pode-se focar melhor na qualidade do conteúdo. Além disso, assuntos que atraem menos pessoas por serem de nicho podem se transformar em workshops ou pequenos cursos, de forma que os campuseiros aprender mais realizando atividades em vez de ficar apenas olhando.

Mas ressalto que houve muita coisa boa. A apresentação do fundador da Atari, por exemplo, me agradou tanto que eu escrevi sobre ela. Você pode ver parte das demais apresentações do evento no canal no YouTube da Campus Party.

Emerson Alecrim

 
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2013
04
fev

SIMET-BOX: o roteador do NIC.br que mede a qualidade das conexões à internet

Durante a sexta edição da Campus Party, que aconteceu em São Paulo (SP) na última semana, o NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) distribuiu cerca de 250 unidades do SIMET-BOX entre os participantes do evento. Este aparelho se passaria por um simples roteador Wi-Fi se não fosse por um importante detalhe: sua principal função é medir a qualidade da conexão à internet do usuário.

SIMET-BOX

SIMET-BOX

O aparelho em si é um roteador TP-Link WR740N. No entanto, o seu firmware foi modificado pelo CEPTRO.br (Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações) a partir do projeto OpenWrt para incluir os recursos de medição. A interface de configuração e consulta também foi customizada para que o seu uso possa ser feito inclusive por usuários leigos.

De acordo com Fabrício Tamusiunas, Gerente de Projetos no CEPTRO.br que apresentou a iniciativa na Campus Party, o SIMET-BOX é capaz de medir não só a velocidade da conexão, mas também vários outros aspectos que determinam o seu nível de qualidade, como latência (tempo que os blocos de dados levam da origem ao destino), resposta de DNS e perda de pacotes. Nesta última característica, por exemplo, uma perda de apenas 2% é suficiente para comprometer uma conversação de voz sobre IP.

Os testes da conexão ocorrem automaticamente, mas também podem ser feitos a qualquer momento pelo usuário. Para isso, é necessário apenas visitar a página de configuração do SIMET-BOX (endereço http://meu.simet ou 192.168.129.1) e clicar em “Executar Teste Agora!”. Os resultados são exibidos ali mesmo e podem ser importados para  um arquivo PDF. Assim, se for o caso, fica mais fácil para o usuário provar à operadora que a sua conexão está com problemas.

Os resultados dos testes de cada SIMET-BOX são enviados regularmente à CEPTRO.br. Desta forma, a entidade consegue mapear a qualidade das conexões em todo o Brasil e disponibilizar as conclusões publicamente, como mostra o link simet.ceptro.br/mapas. Neste ponto, é necessário ressaltar que nenhuma informação particular do usuário é capturada. Apenas os dados referentes aos parâmetros de avaliação da sua conexão é que são obtidos e de maneira anônima.

As distribuições do SIMET-BOX continuarão a ser feitas ao longo do ano. O problema é que o número de aparelhos é limitado, portanto, muita gente não conseguirá tê-lo. Felizmente, qualquer pessoa pode avaliar sua conexão a partir do endereço simet.nic.br/teste. Também é possível fazer testes de seu acesso móvel: o CEPTRO.br disponibiliza o aplicativo SIMET Mobile para as plataformas iOS e Android, permitindo também o mapeamento da qualidade das redes 3G.

SIMET para Android

SIMET para Android

O SIMET é um projeto de grande relevância porque disponibiliza informações atualizadas sobre a qualidade do acesso à internet no Brasil para toda a sociedade. E não há “rabo preso”: o NIC.br é uma instituição independente e séria, portanto, não se dobra à vontade das operadoras, fazendo com que o consumidor tenha em mãos uma ferramenta confiável para saber se realmente está recebendo por aquilo que está pagando. Além disso, as próprias prestadoras podem utilizar as medições para se “autopoliciar”.

Para mais informações, visite o site simet.nic.br.

Emerson Alecrim

 
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2013
01
fev

A palestra de Nolan Bushnell, fundador da Atari, na Campus Party

Às 19h00 da última quarta-feira (30/01/2013), o palco principal da Campus Party 2013 recebeu uma das personalidades mais importantes da história dos jogos eletrônicos: Nolan Bushnell, o homem que fundou a Atari e, com isso, ajudou a definir os rumos desta indústria que fascina gerações e se renova constantemente.

Este renomado senhor de quase 70 anos iniciou sua apresentação falando um pouco sobre a criação da Atari, como era de se esperar. Na plateia, era possível perceber algumas interjeições de empolgação quando ele mostrou fotos de “arcades” ou, como chamamos aqui, “fliperamas”. Como a maioria deve saber, foram estes equipamentos grandalhões que antecederam a chegada dos consoles domésticos.

Mas o que chamou a minha atenção foi o fato de Bushnell ter mencionado Steve Jobs ou feito referência a ele mais de uma vez. Não é por menos: o fundador da Atari se orgulha de ter sido um dos primeiros chefes daquele que viria a ser um dos fundadores da Apple. Naquela época, Bushnell parecia já ter percebido a postura visionária de Jobs, ressaltando características marcantes de sua personalidade, como boa vontade para trabalhar e criatividade.

Um momento “épico” na Campus Party: Bushnell jogando no… Atari!

Um momento “épico” na Campus Party: Bushnell jogando no… Atari!

Houve inclusive um momento que arrancou risos de toda a plateia: Jobs foi contratado pela Atari para atividades de desenvolvimento, mas, na surdina, costumava repassar o trabalho para Steve Wozniak, que não trabalhava na empresa. “Eu tinha dois funcionários pelo preço de um”, disse Nolan, arrancando risadas do público.

Outro momento engraçado: pouco tempo depois de ter sido criada, a Apple passou a adquirir componentes para seus computadores diretamente com a Atari. Este relação fez com que Jobs, em dado momento, oferecesse um terço da Apple a Bushnell por 50 mil dólares. “Eu recusei”, disse Nolan, rindo da própria “desgraça”.

O criador da Atari também falou sobre o futuro dos videogames, mas não fez nenhuma previsão revolucionária. Bushnell acredita que jogos controlados por sensores, como o Kinect e óculos de realidade aumentada, continuarão ocupando cada vez mais espaço nesta indústria. Além disso, Nolan acredita que os games móveis e on-line terão ainda mais espaço no mercado.

Inesperadamente, Bushnell também associou o futuro dos games à educação. Ele acredita que, dentro de poucos anos, os games poderão ser utilizados para fazer com que as crianças aprendam até dez vez mais rapidamente do que hoje. Foi quando o fundador da Atari soltou uma das frases que marcaram a sua apresentação:

Os games ensinam mais do que qualquer outra mídia já inventada.

Como era de se esperar, Nolan Bushnell não escapou do questionamento sobre a quase falência da Atari. Em seu ponto de vista, esta situação tem o seu lado positivo, pois deve promover uma “limpeza” na companhia, se referindo ao fato de a Atari ter sido comprada pela Warner (isso aconteceu em 1976 e, dois anos depois, Bushnell saiu da empresa) e, de acordo com as suas palavras, ter empregado as pessoas erradas.

Nolan também revelou ter planos para o Brasil. Ele explicou que pretende abrir no país filiais da Xaporia Studios, uma espécie de laboratório de games que criou. “O Brasil tem muitos talentos e eu quero ver jogos brasileiros”. Tomara!

Para quem não conseguiu ver a palestra de Nolan Bushnell, a apresentação está disponível na íntegra no vídeo abaixo (em inglês):

Emerson Alecrim

 
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2013
31
jan

Gundam é destaque da área de modding da Campus Party 2013

A sexta edição da Campus Party (CPBR6), que acontece até o dia 02/02/2013 em São Paulo – SP, mais uma vez reuniu os amantes de case modding, como não poderia deixar de ser. É verdade que, em comparação às edições anteriores, a participação deste público está menor bem neste ano, mas ainda assim é possível encontrar projetos bastante criativos.

Quem participou da Campus Party 2012 provavelmente irá notar que alguns casemods foram apresentados no ano passado – o que não quer dizer que eles não são bem-vindos nesta edição -, mas há algumas novidades que chamam a atenção. A mais notável delas é a criação de Alexandre Ferreira, que mostrou um modding do Homem de Ferro na CPBR5: uma casemod baseado no Gundam, personagem da série de anime Mobile Suit Gundam, que ficou bastante popular na década de 1980. Com mais de 3 metros de altura, é praticamente impossível não reparar neste “robozão” ao andar pela Campus Party:

Casemod Gundam

Com carcaça feita com fibra de vidro, este casemod levou cerca de um ano para ser construído e os gastos envolvidos passaram de 40 mil reais. Parte deste valor, obviamente, foi direcionada somente ao hardware, que conta com dois processadores Intel Core i7 e 16 GB de memória RAM, por exemplo. A sorte é que, desta vez, Alexandre Ferreira contou com o apoio de patrocinadores.

Fiquei surpreso quando Ferreira explicou que o projeto ainda não está totalmente pronto: segundo ele, o plano agora é o de fazer com que o Gundam execute movimentos. Mas só vamos poder conferir esta funcionalidade na Campus Party 2014 🙂

Casemod Gundam

E, sim, para a alegria dos campuseiros, Alexandre Ferreira também trouxe o Homem de Ferro:

Casemod Homem de Ferro

É possível ver estas imagens em tamanho maior e outras fotos da área de modding da Campus Party no meu Flickr:

Emerson Alecrim

 
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2013
28
jan

A Campus Party 2013 já está aí

Teve início, nesta segunda-feira (28/01/2013), a sexta edição brasileira da Campus Party (CPBR6). Assim como no ano passado, o evento está sendo realizado no Anhembi Parque, em São Paulo (SP), e terá uma série de atrações a partir de amanhã, quando as atividades efetivamente começam – o primeiro dia serve para que os “campuseiros” possam se instalar e se familiarizar com o local.

Imagem da edição anterior da Campus Party

Imagem da edição anterior da Campus Party

O palco principal receberá nesta terça-feira (29/01/2013), por exemplo, ninguém menos que Buzz Aldrin, a partir das 13h00. Trata-se de um dos primeiros homens a pisar na superfície da Lua, tendo trabalhado na renomada missão espacial Apollo 11 ao lado de Neil Armstrong e Michael Collins.

Na quarta-feira (30/01/2013), a partir das 19h00, será a vez de Nolan Bushnell roubar a cena. Se você joga videogame, talvez se sentirá grato a ele: estamos falando do homem que fundou a Atari, empresa que está longe da saúde que tinha nas décadas de 1970 e 1980, mas que contribuiu enormemente para moldar a história da indústria dos games.

O palco principal também terá, na sexta-feira (01/02/2013), a presença de Mark Surman, diretor executivo da Mozilla Foundation, a partir das 13h00. No mesmo dia, mas às 19h00, será a vez do empresário brasileiro Eike Batista fazer seu keynote aos campuseiros.

Enfim, haverá diversas palestras e atividades. Acesse a programação completa da Campus Party para ter mais detalhes. E se você não estiver entre os participantes do evento, poderá ter acesso gratuito a algumas apresentações via streaming no endereço live.campus-party.org.

É válido frisar também que a Campus Party tem uma área de exposições (Zona Expo) que conta com a presença de várias empresas/instituições e que é aberta a todo o público. Várias atividades são realizadas ali, inclusive palestras, então visitá-la pode ser deveras interessante para quem quer ao menos saber um pouquinho como é estar na Campus Party.

Desta vez há um link de 30 Gb/s na Campus Party

Desta vez há um link de 30 Gb/s na Campus Party

Chega lá é que pode ser um problema. Se por um lado a organização da Campus Party fez bonito ao antecipar a entrega das credenciais, praticamente eliminando o problema das filas, por outro pecou ao não oferecer transporte até o Anhembi Parque a partir do Metrô, como aconteceu nas edições anteriores. A alternativa, pelo menos até o momento, é apelar para linhas de ônibus que param na região, o que pode ser um desafio para quem estiver com muita bagagem ou não conhece São Paulo. Táxi também é uma opção, mas há relatos de preços abusivos.

Apesar dos pesares, a Campus Party continua sendo uma oportunidade excelente para quem quer expandir seus conhecimentos, praticar o chamado networking e até mesmo ter uma ideia ali capaz evoluir para um grande negócio – por que não? 😉

A Campus Party acontece até o próximo sábado (02/01/2013). Mais informações no site oficial do evento: www.campus-party.com.br. Confira também alguns destaques da Campus Party 2012 aqui no InfoWester.

Emerson Alecrim

 
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