Os dez anos do Flickr

Flickr - 10 anos

Nesta segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, o Flickr completou dez anos de existência. É tempo pra caramba, se levarmos em conta a impressão que temos de que as coisas acontecem de maneira muito rápida na internet. A pergunta que fica no ar após os parabéns é: o Flickr tem fôlego para mais dez anos?

Para chegar aqui o Flickr percorreu um caminho árduo e cheio de reviravoltas. O serviço foi criado pelo casal Stewart Butterfield e Caterina Fake (hoje separados, aparentemente) em uma época onde as redes sociais on-line da forma como conhecemos davam seus primeiros passos.

O Facebook, naquela época, estava em fase embrionária. O MySpace era o serviço que se destacava, mas não tinha um apelo forte para fotos. Aqui, no Brasil, o orkut conquistava o público, mas com foco em interação: até então, o álbum do serviço só permitia a publicação de apenas 12 imagens, fazendo com que os Fotologs da vida continuassem populares.

O Flickr então não teve dificuldades para se transformar na opção preferida dos amantes da fotografia, tanto profissionais quanto amadores, este último grupo fortemente enriquecido com o advento das câmeras digitais. O motivo é claro até pelo nome: o serviço surgiu com foco em fotos, tendo sido feito para amantes ou, ao menos, simpatizantes do assunto. Ou seja, para muita gente.

O sucesso veio rápido. Percebendo que iria se tornar maior, o Yahoo! não perdeu tempo e fez uma oferta a Stewart Butterfield e Caterina Fake. O Flickr foi comprado pela empresa por 35 milhões de dólares em março de 2005.

Caterina Fake e Stewart Butterfield em 2006

Caterina Fake e Stewart Butterfield em 2006

De fato, dali em diante o sucesso do Flickr só aumentou, tanto que, anos mais tarde, Butterfield chegou a declarar que, se soubesse o que viria a seguir, teria demorado alguns meses para fechar o negócio e assim obter um valor maior.

Não obstante, nos meses seguintes era quase que uma obrigação dos adeptos da tal “Web 2.0” ter uma conta no Flickr. Como este é um serviço de fotos, a maioria dos usuários zelava para fazer imagens com o mínimo de qualidade, com um ou outro ajuste aqui e ali em editores de imagens, quando muito.

Naquela época, já era possível encontrar celulares com câmera, mas estes eram rudimentares e não apresentavam qualquer ameaça. Em 2007, no entanto, a Apple lançou o iPhone. Meses depois, o Google soltou a primeira versão usável do Android. Os smartphones começavam a se tornar sofisticados e essenciais.

Nos anos seguintes, as câmeras destes dispositivos também melhoraram substancialmente. Além disso, a combinação de celular com câmera levou a fotografia digital ao alcance de um número muito maior de pessoas. Quase que ao mesmo tempo, as câmeras digitais compactas ficaram mais baratas e, claro, dotadas de mais recursos.

O que parecia um cenário ainda mais favorável ao Flickr, na verdade, se mostrou como o prenúncio do declínio. O Facebook se tornou febre e fez com que muita preferisse os seus álbuns ao Flickr. Primeiro porque era mais fácil publicar imagens no serviço criado por Mark Zuckerberg; segundo porque o público ali é mais presente com seus comentários, curtidas e compartilhamentos.

Além disso, o aperfeiçoamento constante das câmeras dos celulares veio acompanhado de aplicativos que tornam o compartilhamento de foto mais fácil, rápido e cativante. Vide o fenômeno do Instagram.

O que veio depois você deve ter imaginado, sem esforço: perda de relevância. O estrago só não foi maior porque o Flickr ainda é a melhor opção para muitos amantes de fotografia, inclusive deste que vos escreve.

Em maio de 2013, quando o Yahoo! já estava sob o comando da ex-Google Marissa Mayer, o Flickr sofreu uma tremenda reformulação em um esforço quase desesperado para tornar o serviço atraente novamente.

A interface foi totalmente refeita para se adequar a dispositivos com telas dos mais diferentes tamanhos. Além disso, as contas gratuitas passaram a contar com 1 terabyte de espaço – melhor do que “ilimitado” ou “infinito”: soa mais impactante. Até então, usuários não pagantes podiam exibir somente suas últimas 200 fotos.

Nova interface do Flickr

Teve mais: no decorrer de 2013, os apps móveis do Flickr ganharam novos recursos, inclusive os filtros que se tornaram tão populares com o Instagram.

Se deu certo? Bom, no post sobre os dez anos, o Yahoo! revelou que o Flickr conta atualmente com dois milhões de grupos (inclusive o #Flickr10, adivinhe sobre qual assunto) que compartilham mais de um milhão de fotos por dia. É um número expressivo, mas provavelmente distante do que o serviço foi no passado.

O importante, no final das contas, é que o Flickr continua sendo um reduto de fotos incríveis, tanto que não deve ter sido nada fácil para a sua equipe escolher quais colocar no vídeo comemorativo (abaixo). Se o serviço estará vivo em 2024 é impossível dizer, mas ao menos não dá para esperar um fim próximo para um acervo tão edificante assim.