Vem aí uma nova fase para a Microsoft?

Nesta terça-feira (09/10/2012), Steve Ballmer enviou uma carta aberta aos acionistas, funcionários e parceiros da Microsoft que trata principalmente do futuro da empresa. O documento é relativamente extenso e cheio de jargões corporativos, mas basicamente diz o seguinte: “estamos entrando em uma nova fase e precisamos da confiança de vocês”.

Steve Ballmer – Imagem por Wikipedia Steve Ballmer – Imagem por Wikipedia

O lançamento do Windows 8, que irá acontecer oficialmente no próximo dia 26, representa muito mais que a chegada de um novo software ao mercado – marca também uma mudança de paradigma na Microsoft. Não que a partir de agora tudo necessariamente irá girar em torno deste sistema operacional. O que acontece é que a novidade corresponde, até agora, à mudança mais brusca que a família Windows já teve e a Microsoft quer aproveitar esta ousadia para deixar claro que está mudando por completo.

Ok, talvez não por completo, mas está mudando. Para aplicações corporativas, por exemplo, vemos o novíssimo Windows Server 2012 bastante alinhado às necessidades atuais de virtualização e computação nas nuvens, por exemplo. Na internet, serviços com Outlook.com e SkyDrive estão surpreendentemente bons. Aguardamos, para o próximo ano, a chegada de um Office que nunca foi tão on-line.

O Windows 8 é impactante não só porque tem um conceito totalmente novo de interface e usabilidade, mas também porque contempla um mercado que, até então, a Microsoft nunca passou da porta: o de tablets. E aqui chegamos em um ponto destacado na carta de Ballmer: não basta mais desenvolver um sistema operacional para ser utilizado em equipamentos de terceiros; agora a empresa quer se focar em seus próprios dispositivos. O Xbox 360 deixa claro que a companhia pode ter sucesso com esta abordagem, mas a prova de fogo caberá mesmo aos tablets Surface.

Surface e sua "capa-teclado" – Imagem por Microsoft

Surface e sua “capa-teclado” – Imagem por Microsoft

O fato é que a Microsoft precisa mesmo adotar uma nova postura porque os desafios que a empresa tem pela frente nunca foram tão grandes: o Windows Phone, por exemplo, até agora não conseguiu quebrar a hegemonia das plataformas Android e iOS; além disso, o Windows 8, com a sua proposta ousada, pode ter que percorrer um longo caminho para conquistar ampla aceitação no mercado, especialmente para fazer com que o nome ‘Microsoft’, finalmente, tenha significado no mundo dos tablets.

De maneira geral, a empresa tem tomado decisões acertadas para preparar o terreno desta nova fase, por exemplo, com a padronização de seus sites, serviços on-line e softwares com a interface desenvolvida para o Windows 8. A disponibilização de versões de teste do sistema para que o mercado vá se acostumando e a melhor integração de alguns de seus produtos com plataformas concorrentes também evidenciam isso.

Tudo muito desafiador, tudo muito promissor, mas a Microsoft ainda precisa se atentar aos “velhos hábitos”. Por exemplo, os tablets Surface foram anunciados sem definição de data de lançamento e preços sugeridos, uma excelente maneira de jogar um balde de água fria na decisão de compra de quem se interessou pelo produto. O Bing, por sua vez, só funciona em sua totalidade em poucos países – por que tanta resistência em regionalizar produtos com grande potencial fora dos Estados Unidos?

De qualquer forma, os próximos capítulos serão interessantes. Se Ballmer & cia conseguirem fazer os planos da Microsoft vingarem, veremos a empresa impressionantemente forte diante da Apple e do Google. Eu torço para que isso aconteça, afinal, não há nada que faça tão bem ao mercado quanto concorrência acirrada.

Emerson Alecrim





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