Orkut: a solução é seu fim?

De maneira geral, os internautas brasileiros adoram o Orkut. Seja para reencontrar e manter contato com conhecidos, seja pela facilidade com a qual é possível encontrar pessoas com gostos semelhantes, o Orkut só não caiu no esquecimento – como o Google Base – pela utilização em massa dos brasileiros.

No entanto, desde a explosão de sua popularidade, o Orkut se mostra como uma “dor de cabeça” ao Google: lentidão, bugs, suporte precário e, mais recentemente, a onda de atos considerados criminosos, especialmente pedofilia e racismo.

Aos poucos o Orkut vai sofrendo melhorias, mas os problemas continuam – se sai um, entra outro. Mesmo assim, o Google insiste em mantê-lo. Para quê? Certamente há alguma forma de explorar o serviço para obter algum retorno financeiro, mas como? O Orkut certamente nunca vai fazer tanto sucesso em outro países, então qual as razões para mantê-lo?

Não sei, só sei que o Google tem seus motivos. A solução mais fácil para se livrar das dores de cabeça que o Orkut causa é acabando com o serviço, mas a empresa tem gente contratada para agir justamente ao contrário. Se é assim, é bom o Google se apressar. Do jeito que a coisa anda, se alguém ameaçar outra pessoa nesse site, é o Orkut que levará a culpa e, diante de tantos escândalos, usuários com bom senso usarão menos o site, não por um determinado problema em si, mas pela soma de fatores, tais como as questões ligadas à privacidade, o risco de alguém sofrer ataques através de comunidades ou scraps, a idéia de “território sem lei”, enfim.

O que o Google precisa fazer não é só criar ferramentas que permitam identificar os problemas, mas passar a “falar” mais com os usuários, para que estes saibam que tem alguém olhando suas atividades e que o Orkut não é uma “terra sem leis”. Se o Google começar a agir nesse sentido, muita coisa vai mudar e o Orkut talvez ainda se salve de um fim trágico. Os problemas se destacam mais que as virtudes. Por isso é bom evitá-los.

Emerson Alecrim