Ensino de programação nas escolas: Bill Gates, Mark Zuckerberg e até will.i.am apoiam

A Code.org é uma organização norte-americana que defende o ensino de programação nas escolas. A iniciativa já existe desde janeiro, mas começou a ficar conhecida pra valer apenas nesta semana, após a divulgação de um vídeo em que personalidades como Bill Gates e Mark Zuckerberg aparecem manifestando apoio à causa:

Os primeiros segundos do vídeo mostram uma declaração de Steve Jobs que resume com perfeição a importância desta ideia:

“Todos neste país deveriam aprender a programar um computador… Pois isso te ensina a pensar.”

Este é o ponto. Bill Gates, Mark Zuckerberg, Jack Dorsey (co-fundador do Twitter), Drew Houston (criador do Dropbox) e até nomes inusitados, como o músico will.i.am e o jogador da NBA Chris Bosh, aparecem no vídeo incentivando o ensino de programação nas escolas não apenas porque faltam desenvolvedores no mundo, mas também porque esta é uma prática que alimenta o raciocínio lógico, a criatividade, a motivação e outros aspectos.

Eu concordo plenamente. Na maioria das instituições de ensino do Brasil, por exemplo – com destaque para as unidades da rede pública -, não é nada difícil se deparar com aulas pouco ou nada estimulantes. Some este a vários outros problemas comuns, como falta de infraestrutura e remuneração baixa dos professores, e você terá o ambiente escolar perfeito para o tédio e até mesmo o ócio.

Aulas de programação não tornarão os alunos desenvolvedores natos, da mesma forma que ninguém sai da escola especialista em geográfica ou química. Por outro lado, estas aulas, se bem aplicadas, podem fazer com que os alunos enxerguem o mundo de possibilidades que há pela frente, pois à medida que uma sequência de códigos resulta em alguma coisa, eles perceberão que são capazes de criar, de ter ideias próprias, de solucionar problemas e assim por diante.

Alunos motivados se interessam mais, questionam mais, participam mais e, consequentemente, estudam mais. A escola passa então a não ser mais vista apenas como uma atividade imposta ou um simples ponto de interação com indivíduos da mesma faixa etária.

É claro que não é só a programação que é capaz de levar a um ambiente de ensino estimulante. Na minha opinião, aulas de música teriam efeito semelhante, por exemplo (eu adoraria ter tido).  Mas a programação tem a seu favor o fato de a computação, hoje, ser uma ideia disseminada: é muito mais fácil encontrar um PC ou um smartphone nas residências do que um instrumento musical.

A iniciativa tem como base os Estados Unidos, mas suas ideias são válidas em qualquer lugar. Para quem estiver interessado, o site www.code.org oferece várias informações sobre o assunto.

Emerson Alecrim