Formato Ogg Vorbis

Introdução

Ouvir música no computador (ou em dispositivos digitais móveis) é algo que se tornou rotineiro para muita gente. Em grande parte, o responsável por isso é formato de áudio MP3, que de tão popular, já é executado em leitores de DVD, aparelhos de som e até em telefones celulares. No entanto, o formato MP3 é patenteado e isso foi o suficiente para que tecnologias alternativas fossem exploradas. É aí que entra o Ogg Vorbis, um padrão para música digital que está se tornando cada vez mais conhecido. Neste artigo, você conhecerá detalhes desse formato.

O que é Ogg Vorbis

Ogg Vorbis é um padrão para áudio digital desenvolvido pela Xiph.Org Foundation totalmente open source (isto é, possui código aberto) e livre de patentes. Os arquivos nesse formato, cuja extensão é .ogg, costumam ser um pouco menores e com qualidade igual ou superior aos arquivos em MP3. No entanto, o maior atrativo do Ogg Vorbis é o fato de se tratar de um padrão livre, ou seja, todos podem usá-lo livremente. Ao ler isso, você pode afirmar que o mesmo ocorre com o MP3. Na verdade, não. O formato MP3 é patenteado e pertence ao grupo Fraunhofer IIS, da Alemanha. Em setembro de 1998, esse grupo anunciou que cobraria royalties (uma espécie de pagamento de licença de uso) de todas as empresas que usassem a tecnologia MP3 em hardwares e softwares, principalmente do encoder, que é responsável pela geração de arquivos no formato. Ainda, empresas que vendem MP3 pela internet teriam que pagar uma pequena porcentagem por música vendida. É por essa razão que a Red Hat não disponibiliza codecs e decoders de MP3 em suas distribuições Linux.

Diante da possibilidade de haver cobranças ainda maiores pelo uso do formato MP3, muitos grupos passaram a procurar uma alternativa. Não demorou muito para que o formato Ogg fosse referenciado, afinal, ele já existia (foi criado em 1993), só não era muito conhecido.

Logotipo do Ogg VorbisOgg é o nome dado ao formato de arquivos de áudio criado pela Xiph.org. É esta parte que contém as informações de metadados, áudio e até vídeo. Já Vorbis, é o nome dado à técnica de compressão de áudio que é empregado no arquivo Ogg. Assim, pelos menos teoricamente, é possível usar o Ogg com outro formato de compressão ou usar o Vorbis em outro formato de arquivo. Agora, fica óbvio que Ogg Vorbis é a junção das tecnologias Ogg e Vorbis. Essa "parceria" ocorreu em 1998, após o anúncio da Fraunhofer.

Tecnicamente, o formato Ogg Vorbis consegue gerar arquivos até 25% menores que equivalentes em MP3. Na geração de arquivos, é possível definir o nível de qualidade, que é medido em valores de -1 a 10, com mudanças feitas de 0,1 em 0,1. Deixando a compressão no nível 3, é possível gerar áudio equivalente a um arquivo em MP3 com 160 Kbits de bit rate (taxa de gravação por segundo), o que garante uma ótima qualidade sonora (imagine então músicas geradas no nível 10!).O formato ainda suporta até 255 canais de áudio independentes.

Assim como o MP3, o formato Ogg Vorbis também trabalha com o esquema de tags (tagging), que permite a inserção de informações adicionais ao arquivo de áudio, como nome do cantor ou da banda, nome do disco ao qual pertence, ano de lançamento, etc.

Uma das pessoas que está por trás do Ogg Vorbis é Crhistopher Montgomery, que no início do projeto era estudante de computação do MIT (Massachusetts Institute of Technology). No entanto, por ser um projeto de código aberto, o formato Ogg Vorbis conta com uma série de desenvolvedores atualmente.

Talvez, a única desvantagem do Ogg Vorbis em relação ao MP3 é o fato de sua compressão ser quase duas vezes mais lenta. No entanto, isso não é tão relevante, mesmo porque é uma questão que pode ser resolvida futuramente.

Softwares para Ogg Vorbis

À medida em que o Ogg Vorbis se torna conhecido, desenvolvedores de software estão adicionando compatibilidade com o formato, seja para execução, seja para compressão. Devido a isso, já existem aplicativos com suporte a Ogg Vorbis em vários sistemas operacionais.

No Windows, players como o Quintessential, Winamp e Sonique são compatíveis. Para geração de músicas nesse formato, pode-se usar programas como Audacity, Audiograbber e Freerip.

Usuários de Linux contam com softwares como XMMS, Noatun e Zinf para execução de áudio em Ogg vorbis. Para geração, existem softwares como o RipperX e o crip.

Pode-se obter uma lista mais detalhada de softwares compatíveis com Ogg Vorbis no site oficial: www.vorbis.com. É importante lembrar que alguns programas não possuem suporte direto para Ogg Vorbis, mas é possível adicionar esse recurso através de plugins.

O Ogg Vorbis também está sendo trabalhado para lidar com streaming, isto é, transmissão de áudio e de vídeo pela internet. Quando isso já for uma realidade, certamente os programas mais conhecidos serão compatíveis.

Finalizando

O padrão Ogg Vorbis está longe de ser tão popular quanto o MP3, mas não tanto. Cada vez mais conhecido e melhorado, o formato já é compatível com uma série de softwares e até mesmo com alguns dispositivos de som. Além de ter uma qualidade sonora que pode superar o MP3, o Ogg Vorbis também gera arquivos um pouco menores que os formatos concorrentes (como o MP3 e WMA). O InfoWester espera que o Ogg Vorbis tenha tanto sucesso quanto o Firefox. Assim, será mais uma prova de que soluções em software livre possuem ótimo nível de qualidade. Para obter mais informações sobre o formato, visite www.vorbis.com e www.xiph.org.

Escrito por - Publicado em 20_05_2005 - Atualizado em 20_05_2005