Executivo do Google diz que desktops serão irrelevantes em três anos. Será?

Em uma conferência realizada em Dublin, na Irlanda, John Herlihy, diretor da divisão de vendas e marketing do Google na Europa, fez uma declaração pra lá de polêmica:

Os desktops serão irrelevantes em até três anos. No Japão, a maior parte das pesquisas já são feitas em smartphones, não em PCs.

Para Herlihy, isso será possível porque a maioria das aplicações rodará nas nuvens, dispensando os smartphones de processamento pesado e, portanto, inviável. A declaração vai de encontro com as palavras de Eric Schmidt, CEO do Google, que disse no evento Mobile World Congress, que aconteceu em fevereiro, na Espanha, que a empresa dará mais prioridade a dispositivos móveis do que a desktops, a partir de agora.

Eu acredito que smartphones e outros aparelhos portáteis serão cada vez mais utilizados para acesso à internet e que, portanto, esses dispositivos serão presença constante na “vida on-line” das pessoas. Mas não acredito nem um pouco que desktops se tornarão irrelevantes em três ou mais anos.

Há sim uma tendência para que esse tipo de computador perca espaço, uma vez que um número cada vez maior de pessoas preferirá adotar notebooks, netbooks e, claro, smartphones paras suas atividades cotidianas, tudo em nome da principal vantagem desses dispositivos: a mobilidade. Mas isso não significa, necessariamente, que o mundo abandonará os desktops. Na minha opinião, significa apenas que as pessoas acessarão a internet em lugares e ocasiões onde, até então, isso não era possível por limitações tecnológicas.

Bad smartphone

É o que acontece com os japoneses, que aproveitam todo a tecnologia e a estrutura de telecomunicações de seu país para acessar a “grande rede” quando estão nas ruas, no Metrô, no mercado, etc. Mas nem lá os desktops correm risco de se tornar irrelevantes, pelo menos não tão cedo.

Antes de qualquer previsão mais radical, temos que considerar que: desktops ainda são a opção mais viável para o segmento corporativo; há toda uma indústria por trás dos desktops que não deixará esse mercado morrer, pelo menos não tão cedo; muitas pessoas ainda vão querer contar com computadores poderosos em casa, contexto no qual os desktops se encaixam; dekstops ainda são consideravelmente mais acessíveis que dispositivos móveis em países emergentes.

De qualquer forma, não devemos descartar as palavras de John Herlihy. Desenvolvedores, empresas de telecomunicações, sites e veículos de comunicação em geral precisam, mais do nunca, olhar para o segmento móvel com mais atenção para se adaptar à nova realidade. Só não devem cair no erro de tratar isso como única prioridade.

Referência: The Inquirer.

Emerson Alecrim