China volta atrás e libera acesso ao Google

Conforme mostra o post anterior, o governo chinês havia bloqueado o acesso dos internautas chineses ao endereço internacional do Google (google.com), deixando disponível apenas o limitado (e polêmico) google.cn. Na verdade, esse bloqueio começou a ser feito há semanas, mas apenas agora é que teve repercussão mundial. Após uma série de manifestações contrárias à ação, principalmente da entidade Repórteres Sem Fronteiras, o acesso ao google.com foi liberado.

A impressão inicial que se tem é de que a liberação ocorreu devido à pressão de entidades e grupos de usuários, no entanto, uma afirmação do grupo Repórteres Sem Fronteiras leva a crer que o bloqueio ocorreu por causa do massacre de Tiananmen, que fez aniversário no dia 4 de junho.

Mais conhecido como “Massacre na Praça da Paz Celestial”, o massacre de Tiananmen aconteceu em 4 de junho de 1989, onde estudantes protestaram em favor, entre outros, da democracia e da igualdade de direitos na China. O governo chinês respondeu com extrema violência. O símbolo desse acontecimento é o vídeo de um jovem que, por alguns instantes, impediu a passagem de quatro tanques de guerra, uma imagem que marca até hoje a expressão pelo desejo da paz.

O bloqueio não afetou apenas o Google, mas uma série de outros sites e serviços da Web. Todavia, a liberação parece deixar claro que a intenção do governo chinês era a de evitar que sua população acessasse dados sobre o que houve no passado, já que o aniversário do massacre faz com que a procura sobre o assunto seja maior. Agora que menos atenção é dada ao caso, o acesso ao google.com foi permitido novamente.

Vale ressaltar que, embora o google.com esteja acessível outra vez, as páginas de resultado que contém assuntos que ferem os interesses do governo da China continuam bloqueados. A privação à informação – à própria história – só tem como mais repugnante a própria guerra. É lamentável que nos dias de hoje ainda seja possível presenciar esse tipo de censura.

Referências: Wired News, Wikipedia.

Emerson Alecrim





  • Sergio

    É lógico que o governo chines não gostaria de ter problemas, já que ele lida com um contingente de 1,3 bilhões de pessoas e na realidade, ninguem quer este povo em pé de guerra.
    As mortes da Praça da Paz foram um lamentavel episódio na vida daquela nação e o que eles precisam é comida e um modo melhor de vida e não mais ódio suscitado pelos erros do passado.