Xbox 360 no Brasil: por que é tão caro?

É difícil aos brasileiros falar de jogos quando o assunto, em específico, são os consoles. Há muito tempo que a única forma de adquirirmos os videogames mais recentes é por importação (seja ela ilegal ou não). Se me lembro bem, o último console lançado oficialmente no Brasil foi o Nintendo 64. Já a linha PlayStation, da Sony, nunca chegou oficialmente por aqui.

A Microsoft, no entanto, acaba de quebrar esse paradigma. A empresa anunciou o lançamento oficial de seu console Xbox 360 no Brasil. O equipamento acompanha um HD de 20 GB, um controle e três jogos: Project Gothan Racing 3, Perfect Dark Zero e Kameo: Elements of Power. Além disso, o Xbox 360 brasileiro executa DVDs de filmes da área 4 (saiba mais sobre isso neste link).

É bom saber do interesse da Microsoft pelo mercado de games no Brasil, mas nem tudo são flores: O Xbox 360 tem preço sugerido de 3 mil reais (na verdade, de 2.999 reais), valor que limita o acesso ao console apenas a uma minoria. Nos EUA, um Xbox 360 pode ser comprado por cerca de 400 dólares (mas sem jogos).

Xbox 360

O pior de tudo é que a culpa por esse valor absurdo não é do Bill Gates, mas sim da altíssima carga tributária do Brasil. Mais da metade do que um comprador pagar pelo Xbox 360 irá para os bolsos do governo. Ou você acha que a Sony e a Nintendo ignoram o Brasil por pura birra?

É claro que existe também a questão da pirataria, com índices tradicionalmente altos no Brasil, mas o que pesa mesmo são os impostos. A conseqüência não poderia ser outra: o mercado brasileiro de games acaba perdendo quase que todo o seu potencial. Até o desenvolvimento local de jogos poderia ser realidade, se o mercado tivesse estímulos e não obstáculos.

Enquanto isso, quem não abre mão das últimas novidades na área de jogos faz o que pode: compra via importação, pede para um amigo trazer de sua viagem ao exterior, apela para o mercado paralelo, enfim, só não deixa os empecilhos da legislação brasileira acabar com a curtição dos games.

Emerson Alecrim