Satélite KIZUNA: internet que vem do espaço

Enquanto que no Brasil continuamos à mercê de serviços precários (para não dizer outra coisa) de acesso à internet, lá no outro lado do mundo, pesquisadores japoneses trabalham para desenvolver tecnologias que permitam à “grande rede” ser acessível nos mais variados lugares. A última novidade nesse aspecto atende pelo nome KIZUNA, um satélite criado para oferecer acesso à internet em (quase) qualquer lugar da Ásia.

Desenvolvido pela JAXA – Japan Aerospace Exploration Agency (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial) – em conjunto com o National Institute of Information and Communications Technology (Instituto Nacional de Tecnologia de Informação e Comunicação) e com a Mitsubishi Heavy Industries, Ltd., o KIZUNA (cujo nome científico é WINDS) foi lançado neste sábado (dia 23) em um foguete H-IIA a partir do Centro Espacial de Tanegashima. O satélite deverá entrar em sua órbita geoestacionária em 20 dias.

Foguete H-IIA - Imagem por JAXA
Foguete H-IIA – Imagem por JAXA

O satélite KIZUNA poderá prover conexões à internet de até 1,2 Gbps em todo o Japão e em mais 19 pontos da Ásia. Não é necessário ter nenhuma estrutura sofisticada para isso. Uma antena receptora de 45 cm de diâmetro é suficiente para uma residência receber dados a impressionantes 155 Mbps e enviar dados à taxa de 6 Mbps. Entidades que necessitarem de velocidades maiores poderão fazer uso de uma antena de 5 m, capaz de receber dados à velocidade de 1,2 Gbps. Quando o satélite estiver em pleno funcionamento, os japoneses efetuarão mais de 100 testes de transmissão relacionados à internet e, como se não fosse o bastante, testarão também o envio de sinais de TV em alta definição (HDTV).

Satélite Kizuna - Imagem por JAXA
Satélite KIZUNA – Imagem por JAXA

É interessante notar que os japoneses estão trabalhando para vencer os obstáculos terrestres que impedem muitas pessoas de acessar a internet. São pessoas de sorte, afinal, não enfrentam os obstáculos que mais causam exclusão digital na América Latina: descaso de entidades governamentais e falta de interesse das operadoras de telecomunicações…

Referências: USA Today, Japan Aerospace Exploration Agency.

Emerson Alecrim