O primeiro capítulo das redes 4G no Brasil

4G LTENo dia 30 de abril de 2013, o Brasil passou a fazer parte, definitivamente, da lista de países que oferecem 4G (LTE) para a sua população. Mas, na prática, isso não quer dizer muita coisa: as operadoras deixaram para disponibilizar estas redes praticamente no final do prazo limite estabelecido e indo apenas um pouco além das localidades obrigatórias determinadas pelo governo. E, como era de se esperar, fatores como preço elevado e limitação de velocidade também estão presentes.

Localidades

As operadores começaram a oferecer serviços 4G em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Isso porque estas cidades são as sedes da Copa das Confederações e, portanto, tinham que obrigatoriamente contar com cobertura 4G em pelo menos 50% de seu território até 30 de abril.

Por iniciativa das operadoras, outras cidades também tiveram cobertura 4G iniciada. A Vivo, por exemplo, começou a oferecer o serviço também em São Paulo (SP); a Claro, em Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). Mesmo assim, não há como não presumir que, se não fossem pelas exigência da FIFA, demoraríamos muito mais para encontrar algum sinal 4G em terras tupiniquins.

Velocidades

Teoricamente, a tecnologia LTE pode permitir download com velocidade de até 300 Mb/s (megabits por segundo) e upload de 75 Mb/s. Mas, por uma série de motivos, estas taxas são muito mais baixas nos países que já contam com 4G, mas significativas mesmo assim – nos Estados Unidos, por exemplo, a média de download é de 22,1 Mb/s.

No Brasil, no entanto, conseguir passar de 5 Mb/s vai ser sorte. As operadoras não se comprometeram com velocidades maiores – pelo menos inicialmente – porque se apegaram ao mínimo exigido pelo governo. A verdade é que as redes 4G brasileiras começaram a funcionar, mas ainda estão bastante “cruas”. Dependemos não só da boa vontade das companhias de telecomunicações, como também do empenho do governo em diversos aspectos, como na questão da chamada “Lei das Antenas”.

Preços e franquias

Por padrão, serviços móveis são caros no Brasil. Acreditar que o mesmo não aconteceria em relação às redes 4G é sonhar alto por demais. Se ao menos as franquias, isto é, os limites de download fossem maiores… Eis um resumo com os planos básicos de cada operadora (sem considerar preços de modem, quando for o caso):

Claro

  • Franquia de 2 GB por mês para smartphones: 79,90 reais;
  • Franquia de 5 GB por mês para smartphones: 99,90 reais;
  • Franquia de 5 GB por mês para modem e tablet: 119,90 reais;
  • Franquia de 10 GB por mês para modem e tablet: 199,90 reais.

Oi

  • Franquia de 5 GB por mês para smartphones: 98 reais;
  • Franquia de 10 GB por mês para modem e tablet: 188 reais ou 125 reais para clientes de determinados planos.

TIM

  • Franquia de 300 MB por mês para smartphones: 21,90 reais;
  • Franquia de 600 MB por mês para smartphones: 34,90 reais;
  • Franquia de 3 GB por mês para modem e tablet: 61 reais;
  • Franquia de 10 GB por mês para modem e tablet: 101 reais.

Vivo

  • Franquia de  5 GB por mês para modem e tablet: 99,90 reais;
  • Franquia de  10 GB por mês para modem e tablet: 129,90 reais;
  • Franquia de  20 GB por mês para modem e tablet: 159,90 reais;
  • Franquia de  10 GB por mês para residências: 99,90 reais;
  • Franquia de  20 GB por mês para residências: 129,90 reais;
  • Franquia de  40 GB por mês para residências: 159,90 reais.

No caso de smartphones, a Vivo disponibiliza franquias de 2 GB, 4 GB e 6 GB em conjunto com pacotes de minutos cujos preços variam conforme a cidade. Em São Paulo, por exemplo, o plano mais barato oferece 60 minutos de ligações mais 2 GB de 4G pelo valor mensal de 149 reais.

* * *

A Vivo realizou um evento em São Paulo (SP) para o lançamento de seus planos 4G. Nele, estiveram presentes várias autoridades, entre elas, Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, que reconheceu que a infraestrutura do Brasil precisa melhorar não só no que diz respeito ao 4G, mas também ao 3G.

Em relação a este aspecto, quanto questionado se teremos com o 4G os mesmos problemas que enfrentamos com serviços 3G, o ministro respondeu que a fiscalização agora é maior: “houve descuido, talvez das autoridades, mas com certeza das empresas”; “estamos cobrando e batendo duro nas empresas, não vamos afrouxar”.

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações

O fato é que há uma série de problemas a serem superados. Além da questão das antenas – a quantidade atual delas limita consideravelmente as possibilidades de expansão –, temos, por exemplo, a questão da frequência: o Brasil utiliza a faixa de 2,5 GHz, que é menos abrangente e mais limitada em termos de compatibilidade com aparelhos; a frequência de 700 MHz, a mais adequada para este tipo de serviço, ainda está na fase de consulta pública, o que significa que sua implementação demorará um bocado.

Em resumo, resta  torcer – e cobrar – para que os próximos capítulos desta história toda sejam mais interessantes.

Emerson Alecrim