O Google alterará suas políticas de privacidade. O que isso quer dizer?

Caixa com cadeado (imagem ilustrativa)O internauta mais atento deve ter percebido que, ao acessar o Google nos últimos dias, uma mensagem abaixo do campo de busca informa que o serviço terá seus termos de uso e suas políticas de privacidade alteradas. Pouca gente dá atenção a assuntos como este, mas é importante se inteirar das mudanças porque elas envolvem diretamente os seus dados.

A primeira coisa que precisamos entender é que o Google unificará as políticas de seus produtos. Em outras palavras, teremos o mesmo conjunto de políticas de privacidade para cada serviço da empresa. Isso é bom para o usuário, que terá acesso mais fácil às políticas, e bom para a empresa, que terá mais facilidade para gerenciar estes documentos. O próprio Google explicou que a mudança eliminará cerca de 60 políticas de privacidade, já que todas serão substituídas pelo mesmo conjunto.

Essa unificação também existirá com os dados do usuário: a exemplo do que já acontece em alguns produtos da empresa, estes poderão ser compartilhados entre os serviços do Google. E que dados são estes? Informações de navegador, localização física do usuário com base em IP, termos pesquisados, entre outros itens que passam a ser coletados quando você faz login em qualquer serviço da empresa.

A vantagem disso é que, com a análise dos hábitos de navegação do usuário, o Google conseguirá oferecer resultados de busca e outros recursos de maneira ainda mais personalizada. Assim, pode ser que se você pesquisar sobre um modelo de carro no Google, encontre sugestões de vídeos relacionados ao veículo ao acessar o YouTube, por exemplo. Sim, a empresa continuará utilizando estas informações para exibir anúncios baseados em seus interesses.

Vídeo onde o Google explica as mudanças

Mas o assunto também rendeu críticas. Em parte porque, de maneira geral, as pessoas se sentem desconfortáveis com o uso de suas informações, apesar dos benefícios que isso pode trazer. É aqui que está um dos pontos delicados: todo mundo sabe que o Google já faz uso destes dados, mas as pessoas podem determinar quais informações cada serviço deve utilizar por meio das opções de privacidade; com a unificação, teme-se que esta possibilidade deixe de existir ou seja “enfraquecida”.

Esta percepção leva a outra questão: as mudanças valerão a partir de 1º de março de 2012. E a condição é a seguinte: ou o usuário aceita ou deixa de utilizar os serviços do Google. Esta crítica o Google tratou de responder prontamente, dizendo que determinados serviços, como o YouTube ou o Google Maps, podem ser utilizados sem login ou mesmo com contas diferentes.

Não para por aí: há também quem veja o compartilhamento de dados entre serviços como uma forma de o Google obter informações ainda mais precisas sobre o perfil de cada usuário, o que daria à empresa uma concentração de “poder” muito grande.

Há ainda o temor de que as alterações diminuam a privacidade do usuário. Quanto a isso, o Google explicou que as condições referentes a este ponto não sofrerão mudanças e ressaltou que as informações obtidas não serão compartilhadas com terceiros ou revendidas, exceto em caso de ordem judicial, assim como acontece hoje.

Caberá ao usuário decidir se concorda com isso ou não. Caso positivo, basta continuar usando os serviços a partir de 1º de março de 2012. Se não, o usuário poderá reagir trocando o serviço de e-mail, utilizando determinados produtos sem login, tentando ao máximo restringir suas configurações de privacidade, entre outras ações. O mais importante de tudo é estar ciente do assunto.

É possível saber mais na página Políticas e Princípios do Google e no blog oficial da empresa.

Emerson Alecrim