Internet no Brasil: privilégio apenas para alguns até quando?

Imagem: cabo de rede junto a moedasAproveitei o último feriado para visitar amigos e parentes no noroeste do Paraná. É claro que eu também visitei a minha avó. Um dos primeiros assuntos que ela comentou era um golpe que estaria sendo aplicado em São Paulo. Notícia velha, então dei pouca atenção ao assunto, mas isso a fez me recomendar ver o noticiário da TV mais vezes.

Eu raramente vejo notícias na televisão porque as obtenho facilmente e com maior precisão pela internet. E minha avó tem acesso à “grande rede” em casa, mas se habituou à TV e ao rádio, portanto, acho pouco provável que ela um dia considerará essa “coisa de computador” tão confiável quanto o William Bonner e o seu tradicional “boa noite”.

Mas eu sei de casos de pessoas que adorariam utilizar a internet como seu principal meio de comunicação e informação, mas não o fazem por um único motivo: preço. Infelizmente, internet no Brasil ainda é caro e, para muitas famílias, é artigo de luxo. A situação fica pior em cidades do interior, onde as opções de acesso são menores e mais caras que nas grandes cidades. Em muitos casos, as pessoas optam pela velha conexão discada, mas se decepcionam com a natural lentidão dessa modalidade.

Essa questão deveria ser tratada como prioridade pública, porque há tempos que a internet se mostra como algo quase tão importante quanto energia elétrica e água encanada. Ok, tendo acesso barato à internet, muita gente vai se dedicar apenas ao orkut ou a atividades fúteis, mas acredito que essa ampla disponibilidade é a melhor forma que existe para que essas pessoas, aos poucos, descubram tudo o que a “grande rede” pode oferecer.

Em anúncio recente, o governo de São Paulo informou que o estado terá opções de acesso à internet por banda larga a preços populares. Para isso, oferecerá isenção de ICMS (que é de incríveis 25%) nesses planos para as operadoras que oferecerem conexões entre 200 Kbps e 1 Mbps por até 29,80 reais. A Telefônica já informou que vai aderir à novidade e outras operadoras estão analisando a ideia.

É claro que essa é uma iniciativa válida, mas é pouco, muito pouco. Não espero que o governo brasileiro faça como a Finlândia, que acaba de anunciar uma lei que garante acesso à internet para todos os seus cidadãos, mas que crie condições para que as conexões no Brasil tenham preços e qualidade decentes. Criar concessões para estimular a concorrência é uma maneira de se fazer isso, investir em uma estrutura ampla e diversificada também, assim como fiscalizar fortemente as operadoras e acabar com regras absurdas, como a que obriga o usuário a contratar um provedor para autenticação quando assina um plano de ADSL.

Enquanto isso não acontece, a internet continuará sendo o que é para muitas pessoas nos dias de hoje: algo divertido, interessante e moderno, mas para ser usado apenas de vez em quando numa lan house, no trabalho ou na casa de um amigo…

Emerson Alecrim