Dez anos do iPod: mais do que um simples aniversário

Certos produtos fazem tanto sucesso que entram para a história. Não necessariamente pelo volume de vendas, mas por representar algum marco ou o início de alguma tendência. É assim, por exemplo, com o Fusca, com os caderninhos Moleskine e com a caneta Bic. No rol destes seletos produtos está também o iPod, que completou 10 anos de mercado neste domingo (23/10/2011).

Em 2001, o MP3 já existia, mesmo assim, eu ia para a faculdade com um “discman”. Era muito mais barato ter um tocador portátil de CDs e eles eram vendidos em várias lojas. Um MP3-player, além de caro, tinha baixa capacidade de armazenamento, suportando apenas um ou dois álbuns.

iPod da primeira geração – Imagem por Wikipedia

iPod da primeira geração – Imagem por Wikipedia

Naquela época, um eletrônico moderno tinha que ter vários botões (na verdade, hoje não é muito diferente). Por incrível que pareça, esta característica era tida como a forma mais interessante de tornar fácil a utilização do dispositivo. Nos poucos MP3-player existentes no mercado, este pensamento também era aplicado.

O que eu quero dizer com isso é que, até então, não valia a pena para a maioria dos mortais ter um MP3-player. Foi aí que uma empresa conhecida por fabricar computadores pessoais lançou um aparelho que mudou os rumos do mercado: o iPod. O produto foi recebido com muitas críticas, especialmente por “especialistas” e “heavy users” de tecnologia, mas não demorou para virar objeto de desejo no mundo todo.

O design externo do primeiro iPod era tão limpo e bem definido que chamou a atenção justamente por sua simplicidade. Ele não era parecido com uma “nave espacial” e não seguia a tendência de produtos pretos ou cinzas. Além disso, tinha grande capacidade de armazenamento para a época (5 GB), contava com buffer de 32 MB (recurso que inclusive ajudava na economia de energia), utilizava FireWire e possuía interface intuitiva, de fácil utilização.

No vídeo, a apresentação do primeiro iPod

A ousadia da Apple – e da mente geniosa de Steve Jobs – foi bem recompensada: a linha iPod virou sinônimo de player de áudio (as versões atuais são bastante diferentes da primeira, mas mantêm os ideais originais); nenhum outro fabricante consegue vender tão bem neste segmento (a Sony até tenta usar a popularidade da marca Walkman, mesmo assim não consegue muita coisa); e o sucesso do produto preparou terreno para que a empresa pudesse colocar outra no mercado outro aparelho revolucionário, o iPhone.

É possível que, em um futuro não muito distante, o iPod saia do mercado. Não é difícil entender o porquê: cada vez mais, as pessoas preferem ouvir música a partir do telefone celular, que também toca vídeo, acessa a internet, enfim. Quando este dia chegar, será o fim do ciclo do produto, mas não de seus conceitos, que permanecerão presentes em outros dispositivos – e eu não falo só do iPhone.

Emerson Alecrim