Celulares mais baratos e dual-SIM: a estratégia da Alcatel One Touch para o Brasil

De acordo com a Anatel, o Brasil encerrou o mês de agosto de 2011 com mais de 224 milhões de telefones celulares em uso. A maior parte destes aparelhos são modelos mais simples, o que deixa claro que este é, de fato, um mercado bastante forte. Não é por menos que a Alcatel One Touch anunciou nesta terça-feira (28/09/2011), em São Paulo, uma gama de celulares para atrair consumidores que optam por aparelhos deste tipo.

A Alcatel One Touch, que faz parte da chinesa TCL Corporation, não chegou ao Brasil agora, mas sentindo o potencial do mercado local, entendeu que este é o momento para tentar consolidar sua marca no país. Para isso, está se focando em aparelhos mais baratos e que oferecem dual-SIM, isto é, suportam dois chips de celulares. É uma estratégia coerente: aparelhos “xing-ling” vendem aos montes no Brasil justamente por causa destas características. Então, porque não tentar atrair estes consumidores oferecendo como diferencial suporte técnico e garantia? Esta é a aposta da empresa.

No evento, a Alcatel One Touch anunciou oito aparelhos, quase todos com dual-SIM. O que mais chamou a atenção foi o modelo One Touch 890, que podemos considerar um smartphone de entrada: além de suporte a dois cartões SIM, possui sistema operacional Android 2.2 (que poderá ser atualizado para a versão 2.3, segundo a empresa), tela de 2,8 polegadas (resolução de 240×320 pixels), Wi-Fi, Bluetooth, A-GPS, acelerômetro, rádio FM, porta micro-USB, entrada para cartões microSD (até 16 GB), entre outros. Sua câmera é de apenas 2 megapixels, sua tela é resistiva e não há conectividade 3G (apenas EDGE), mas é um aparelho com preço sugerido de 479 reais e que pode ficar mais barato com promoções de operadoras, portanto, não se pode exigir muito.

One Touch 890: disponível nas cores preta, cinza-escuro e pink (Imagem por Alcatel)

One Touch 890: disponível nas cores preta, cinza-escuro e pink (Imagem por Alcatel)

Outra aposta da empresa é o One Touch 678, pensado especialmente para o mercado brasileiro: não se trata de um smartphone, mas o dispositivo terá teclado QWERTY, câmera, rádio FM, MP3-player, entre outros. Sua principal característica, no entanto, é o suporte a três cartões SIM, ou seja, o usuário pode utilizar até três chips de celulares nele. Só não há informação de preço ainda porque o aparelho está em fase de homologação na Anatel.

One Touch 678: “tri-chip” (Imagem por Alcatel)

One Touch 678: “tri-chip” (Imagem por Alcatel)

A Alcatel One Touch me chamou a atenção por sua atuação “pé no chão”. A companhia pretende, por exemplo, lançar mais aparelhos com Android no Brasil, inclusive modelos mais avançados – como tela capacitiva, por exemplo – mas quer fazer isso considerando o aspecto da viabilidade e com condições reais de concorrer no mercado. Por este motivo, a empresa estuda inclusive a possibilidade de fabricar alguns aparelhos no país e manter a produção de outros em sua fábrica na China, de onde saem todos os modelos da marca atualmente.

Ainda no quesito “pé no chão”, perguntei ao presidente da Alcatel One Touch Brasil, Marcus Daniel de Souza Machado, se a empresa considera lançar tablets no país, produto que a companhia já oferece em outros mercados. A resposta foi coerente: não, pelo menos até que a empresa tenha condições de oferecer preços realmente competitivos e que haja demanda considerável para este tipo de produto no Brasil. Marcus chegou inclusive a comentar que de nada adianta lançar um tablet por aqui e, dois ou três meses depois, cortar o preço do dispositivo no desespero de esvaziar os estoques.

Já com forte atuação na região Nordeste do Brasil, a Alcatel One Touch Brasil tem o objetivo de fechar 2011 com 4 milhões de aparelhos vendidos, meta que deverá ser mantida também em 2012. Se vai conseguir, eu não sei, mas não duvido: a empresa parece conhecer bem as necessidades do mercado brasileiro e, por causa disso, está dançando conforme a música, em vez de tentar bancar o DJ.

Emerson Alecrim