O “Genuine Advantage” do MS-Office e uma crítica ao OpenOffice.org

Lembra do WGA (Windows Genuine Advantage), funcionalidade criada pela Microsoft para “informar” o usuário de quando seu Windows for pirata? Pois bem, esse recurso agora será implementado no Office e se chamará “Office Genuine Advantage“, então guarde bem esta sigla: OGA.

Para atualizar o Office e baixar recursos extras, o OGA será obrigatório, assim como será o WGA para o Windows Vista. Nos EUA, os usuários que tiverem seu Office reconhecido como ilegal, poderão adquirir uma versão legítima por valores que vão de 139 dólares (versão para estudantes) a 269 dólares (versão Professional).

Acredito que isso gerará mais espaço para o equivalente livre OpenOffice.org (BROffice.org no Brasil). Aliás, tenho notado que muitas lan-houses, escolas e faculdades estão oferecendo, cada vez mais, esse pacote aos seus usuários. Isso significa que a adaptação não é difícil e, no final das contas, é possível constatar que o OpenOffice.org atende às necessidades da maioria das pessoas.

Porém, uma situação que notei me força a fazer uma ressalva: muitos usuários precisam apenas de um pacote de escritório para suas atividades, portanto, estão pouco ligando para a disputa entre uma suíte e outra. O problema que encontrei é que, por padrão, o OpenOffice.org salva seus arquivos nos formatos ODF (extensão .odt para texto, por exemplo). A questão é que muita gente faz isso sem perceber e, posteriormente, tenta abrir os arquivos em computadores com o Office da Microsoft. Como conseqüência, não conseguem sequer visualizá-los.

No caso de textos, por exemplo, esse tipo de usuário não sabe que precisa salvar no formato .doc para abrir o arquivo no MS-Word – neste, ele o faz automaticamente, portanto acredita que ocorrerá o mesmo no OpenOffice.org. Por esta razão, creio que o OpenOffice.org deveria ter salvamento padrão nos formatos da Microsoft, pelo menos por um tempo. Sei que é necessário divulgar o ODF, mas vale lembrar: a grande maioria dos usuários comuns considera estas questões meramente técnicas, portanto, não gostam de se envolver. O pior é que, quando se dão conta de que o arquivo feito no OpenOffice.org não abre no Word, julgam o primeiro como ruim. Aí não tem jeito: esse usuário tem uma imagem negativa do OpenOffice.org, portanto não irá utilizá-lo nunca por livre e espontânea vontade.

Na minha opinião, o OpenOffice.org tem que conquistar usuários por seus diferenciais, assim como faz a Mozilla Foundation com o Firefox. Todavia, esses pequenos detalhes, como este que destaco, podem fazer a diferença. Você pode argumentar que é possível configurar o OpenOffice.org para salvar arquivos em formatos proprietários por padrão, mas o usuário comum pode não ter base para descobrir isso.

Trabalho em uma universidade e fiz essas constatações observando o comportamento dos alunos. No último caso – que por sinal, me incentivou a redigir esse texto – uma aluna, quando percebeu que o arquivo que fez no OpenOffice.org de uma lan-house não abria no Word de seu notebook, disse à sua colega: “não falei que aquele Office não prestava?”.

Referência: TechSpot.

Emerson Alecrim





  • Discordo. Acredito que a preferência deve ser sempre dada a padrões abertos. Existe uma configuração no OpenOffice.org para usar outros formatos como padrão e empresas que desejam interoperabilidade freqüente entre as suítes devem ativá-la para propôr isso. Quanto a usuários isolados, a maioria não sabe instalar nem o MSO, e os que sabem, também deveriam saber procurar por configurações. O problema que você citou pode ocorrer se alguém salvar um arquivo no Word 2003 (usando algum recurso exclusivo dele) e tentar abrir no Office ’97. A opção de salvar no formato antigo existe no MSO2003, mas não é padrão, como no caso do OOo.

    Além disso, o próximo Microsoft Office suportará formatos ODF, então isso logo deixará de ser um problema. O problema mais grave é se, como no link que eu postei, o OOo não suportar o próximo formato do MSO de jeito nenhum.

    Disclaimer: Caso alguém não tenha entendido, “OOo” é abreviação de OpenOffice.org e “MSO” é abreviação de Microsoft Office.

  • O problema é que assim cruzamos a linha que separa o que é correto do que é fácil.

    Por quê? É claro que é mais fácil adotar logo os formatos da MS, mas isso leva a um ciclo vicioso. É um formato fechado, não é um padrão.

    Se nem mesmo nós, que entendemos a luta, apoiamos um formato aberto, quem o fará por nós?

  • Emerson Alecrim

    Eu apoio, do contrário nem teria OpenOffice.org onde trabalho. Mas estou vendo a suíte perder usuários ao invés de conquistar, por isso acho que é necessário tentar uma adaptação mais demorada, colocar o ODF como padrão um pouco depois. Fazer as pessoas que nem sabem o que é isso mudar de uma hora para outra não dá certo. Senti isso na pele, como disse no último parágrafo.

  • Tem dessas coisas. Acho que já li sobre o Office 2007 abrir arquivos do tipo .odf (tó enganado?).

    Em caso de Lan Houses, acho que o proprietário já deveria ter configurado o OpenOffice (BrOffice), para que ele salva-se em .doc

  • Gustavo Viera JR

    Primeramente parabéns ao Emerson pela coragem de expor esse assunto. Tenho que concordar com ele, pois tb trabalho numa faculdade e vi isso acontecer. No caso a faculdade tem OpenOffice, mas os alunos não conseguiam abrir os arquivos em casa no Word. Só depois descobri que é possível mudar o default. Alguns alunos até perguntam pq é diferente e se interessam, mas na hora que fala para abrir no Word tem q fazer uma escolha na hora de salvar, eles acha que isso é complicado, não todos, é claro. Além disso é dificil explicar para o aluno que ele tem que configurar isso em casa, para os que interessam pelo programa. É um detalhe bobo, mas ia falicitar a divulgação do excelente Openoffice.

  • Antigamente (bem antigamente) o OpenOffice era horroroso! Agora esse mundo do software livre lembrou que nesse mundinho fútil e sem sentido uma carinha bonita é essencial e melhorou o visual (e, claro, a usabilidade). Com certeza vou passar a usar o OpenOffice assim que o meu MSOffice ficar obsoleto.

    Mas pro uso que eu faço do Office nem sei se um dia isso será necessário…

  • Michel Padro

    O OpenOffice também peca num ponto: demora um pouco para abrir, pelo menos no meu PC… Mas depois funciona bem, sem travamentos nem nada.

  • Fernando

    Olha… fiz a mesma constatação que Emerson. Creio que o open office deveria vir como padrão o formato do word. Mesmo porque o usuário comum apenas usa aquilo que é fácil. E para muitos nem sabem o que formato word, proprietário, etc… Para eles isso é loucura de programador, e torcem o nariz se vc tenta ensinar. Então temos sempre que ir para o lado mais fácil para popularizar as tecnologias.

  • Celso Capanema

    Acredito que, apesar de ser comum, o problema de adaptação a configurar como abrir/salvar arquivos em formatos compatíveis com o MSO, não deva ser o maior problema. Todo mundo aprende, mesmo apanhando um pouco. Se não for através de um tutorial, acaba aprendendo por curiosidade (é só abrir a janela de formatos para salvar, que vai ver que ele suporta vários formatos e daí vai perceber que seria mais fácil configurar durante a instalação e possívelmente reinstalar). Muita gente aprende ‘usando’. Apesar de ser um admirador do software livre, não considero no caso da suíte OO que essa seja seu principal problema. O problema é que na edição ou importação de documentos ou planilhas criadas originalmente em OO, percebo que alguns objetos são ‘perdidos’, por exemplo, logotipos em cabeçalho, etc… Outro problema é que junto com o OO poderiam estar disponíveis 2 acessórios semelhantes a seus pares no MSO que considero fundamentais para trabalho de back-office, o Access e MS Project. Este último de extrema facilidade como ferramenta de planejamento. Mesmo os BD free, acabam não te fornecendo a amigabilidade de criação, modelo e operação (MySQL por exemplo). Eu mantive o MSO e desinstalei o OO justamente por estes 3 detalhes que acredito que faltam amadurecer.

  • Gustavo Tabosa

    Já trabalhei com o OpenOffice (editor de texto) numa versão antiga, não lembro qual, foi em 2001, mas com certeza era uma versão mais antiga. Pois bem, era horível, só para abrir demorava uma eternidade, enquanto que o word abria rapidinho… Não sei como está hj em dia, mas com certeza eu defendo a criação software livre e universal, vai ficar mais fácil com a tecnologia de virtualização, na qual a pessoal poderá ter mais de um sistema operacional, imagine o office?