Não é que o Gmail deu um “nó” na cabeça de Bill Gates?

Olha só que história interessante: Steven Levy, jornalista que trabalha na Wired, lançou recentemente o livro In The Plex: How Google Thinks, Works, and Shapes Our Lives, que, como o nome indica, trata do universo do Google. No entanto, há uma passagem pra lá de curiosa na obra que envolve ninguém menos que Bill Gates.

Cerca de seis meses após o lançamento do Gmail, Levy teve a oportunidade de conversar com Gates e, na ocasião, mencionou estar utilizando o serviço de e-mail do Google. Até aí, tudo bem. No entanto, quando o jornalista disse que já estava utilizando metade do espaço oferecido pelo serviço – na época, 2 GB –, o fundador da Microsoft ficou bastante intrigado.

“Para que você precisa de mais de um giga?”, “O que você tem nele? Filmes? Apresentações do PowerPoint?”. Essas foram algumas das perguntas feitas por Bill Gates, que simplesmente não conseguia entender o porquê de um serviço de e-mail com tanto espaço para armazenamento, o que o fez concluir que o Google estava exagerando.

Acontece, tio Bill, acontece… (imagem por Wikipedia)

Acontece, tio Bill, acontece… (imagem por Wikipedia)

Apesar de achar a situação engraçada, eu entendo a posição de Bill Gates. Na história do e-mail, há o antes e o depois do Gmail. Eu comecei a utilizar o serviço lá pelos idos de 2004. Na época, só era possível criar uma conta mediante convite. Estes eram tão disputados que eram até vendidos em sites de leilões. Eu consegui o meu com um jornalista, em uma comunidade do orkut.

Até então, não havia serviço de e-mail realmente bom. Os serviços gratuitos na época ofereciam 1, 2 ou 5 MB (sim, megabytes) de espaço. Era possível conseguir contas com 10, 15 ou 25 MB em serviços pagos. Os webmails, em sua maioria, não funcionavam muito bem: eram lentos e possuíam interface pouco intuitiva. A solução para essas limitações era utilizar clientes de e-mail, como o já clássico Outlook Express.

Quando o Gmail chegou, foi uma verdadeira revolução! 1 GB de espaço de graça e com essa capacidade aumentando constantemente? Só mesmo experimentando pra ver. E ao experimentar, outra surpresa: uma interface limpa, leve e bastante funcional, sem contar os sofisticados recursos adicionais, com um filtro antispam bastante eficiente e as famosas threads, isto é, o “empilhamento” de respostas para uma mesma mensagem. A partir daí, foi só questão de tempo para os serviços concorrentes seguirem pelo mesmo caminho, inclusive o Hotmail.

Ah, sim: não há informação do lançamento do livro de Steve Levy no Brasil, mas se quiser comprá-lo, In The Plex: How Google Thinks, Works, and Shapes Our Lives já está à venda na Amazon.

Referências: TIME, Huffington Post.

Emerson Alecrim





  • Comecei a usar nessa época também, meu irmão que me enviou o convite.
    Nem dá para pensar em usar o Yahoo ou o Hotmail mais.

  • Alini

    quem revoluciona é aquele q pensa fora da caixa e cria alguma coisa q não existe mesmo que todo mundo ache que o cara ta fazendo uma loucura

  • Reinado, concordo. Depois do Gmail, não consegui me adaptar a nenhum outro serviço. Até os e-mails do InfoWester utilizam a plataforma, via Google Apps.

    Pois é, Alini. Pode parecer loucura reinventar a roda, mas se isso a fizer girar melhor…

  • Hoje tenho 6 contas de e-mail pessoal, sendo 2 delas no GMail. Se eu tivesse que escolher apenas uma para ficar, caso fosse obrigado a excluir todas as outras, com certeza ficaria com a do GMail. Interface amigável, ferramentas de pesquisa que realmente funcionam e o espaço crescente são alguns dos itens que fazem do serviço de e-mail do Google o melhor de todos os tempos.

  • Virei leitora, alias acabei de criar meu primeiro documento em *PDF usando um tutorial daqui… parabéns pela dedicação! Abç