Impressões sobre o livro “Bilionários por acaso: A criação do Facebook”

Em 24 de setembro de 2006, publiquei um post intitulado “Facebook: a rede social dos estudantes“, onde eu relatava a minha dificuldade em me cadastrar nesta rede social até então desconhecida pelos brasileiros. Isso porque, na ocasião, o Facebook só aceitava inscrições de quem possuísse e-mail de determinadas universidades. Dois dias depois, publiquei outro texto informando que o serviço havia sido liberado para o público em geral. A questão é que, naquela época, eu sequer fazia ideia dos surpreendentes acontecimentos que agitavam os bastidores do Facebook.

Pude ter uma noção do que aconteceu ao ler o livro que inspirou a produção do filme A Rede Social: Bilionários por acaso: A criação do Facebook (The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook), de Ben Mezirch. Baseado no relato de vários envolvidos na história – exceto a figura principal, Mark Zuckerberg -, a obra  não retrata apenas a criação da rede social, mas também mostra como o mundo dos negócios pode ser traiçoeiro e impiedoso. E eletrizante.

Bilionários por acaso: A criação do Facebook

O título do livro é complementado com a frase “Uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição”. Eu acrescentaria mais um detalhe: “jogo de interesses”. Se fosse para resumir, escreveria “Uma história sobre a vida real”. O livro mostra os caminhos que Mark Zuckerberg trilhou para criar o Facebook e, acima de tudo, fazê-lo crescer.

Zuckerberg não é, por incrível que pareça, a peça central do livro, embora seja mencionado constantemente. Isso porque, além de ter negado os convites para dar seus depoimentos ao autor, Mark é uma pessoa discreta, que fala pouco, que dificilmente deixa transparecer o que está sentindo ou pensando e que, aparentemente, não se importa com muitos dos valores cultivados pela sociedade: status, dinheiro, aparência, diplomas, entre outros. Portanto, fica difícil entender o que se passa em sua mente.

Note que destaquei a palavra “aparentemente”. Depois do surgimento do Facebook, a principal preocupação de Zuckerberg foi a de fazer o serviço melhorar e crescer. À medida que isso acontecia, seu nome ia ficando cada vez mais conhecido e, consequentemente, ele começou a ser notado e não rejeitou os “benefícios” disso: atenção de executivos, carros, jantares luxuosos, assédio de lindas mulheres e outros.

Mark Zuckerberg também é tido como um traidor. Primeiro pelos gêmeos Winklevoss, que o acusam de ter roubado suas ideias ao criar o Facebook. Segundo pela elemento-chave do livro, o brasileiro Eduardo Saverin, que teve importante participação no Facebook por ter financiado o início do projeto, mas que depois foi sumariamente descartado quando não se mostrou mais útil, mesmo tendo uma relação de amizade muito próxima com Zuckerberg.

Mas é difícil apontar quem, de fato, é o vilão da  história. Os irmãos Winklevoss haviam contratado Zuckerberg antes da criação do Facebook para um projeto parecido, mas o fizeram de maneira informal e sequer deixaram claro exatamente o que ele ganharia.  Saverin, apesar de ter sido amigo, financiador inicial do Facebook e de logo no início ter se preocupado em tornar o negócio rentável, se importava demais com suas conquistas e com o status que o Facebook poderia lhe dar, o que lhe fez perder o timing que possivelmente o manteria por mais tempo como sócio da empresa. Isso quer dizer que, talvez, Zuckerberg tenha se feito de besta e deu um golpe certeiro no estômago de quem tentou se aproveitar disso. Ou talvez ele seja um filho da mãe mesmo.

A única certeza que a gente extrai do livro é a de que o mundo dos negócios é um jogo. Um jogo empolgante, onde o que importa mesmo é vencer e vencer, para alguns, custando o que custar. Talvez tenhamos essa impressão por causa da narrativa dramática adotada pelo autor. Talvez porque, no fundo, todos saibamos que é assim mesmo que as coisas funcionam. É, portanto, uma leitura recomendada.

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Emerson Alecrim