Ele mereceu: Steve Jobs, eleito o CEO da década

CEO da década. Esse é o título que o site MarkeWatch, referência em assuntos de negócios nos Estados Unidos, deu a Steve Jobs, o chefão da Apple. Muita gente não gosta dele e, talvez, o próprio considere esse prêmio irrelevante, mas o fato é que Steve Jobs não é um executivo qualquer, portanto, todo reconhecimento do tipo é mais do que merecido.

Se você admira – ou odeia – a Apple e seus produtos, é por causa de Jobs. Ele não apenas fundou a empresa ao lado de Steve Wozniak, como também a tirou da beira das profundezas do inferno quando reassumiu a companhia em 1997, após passar pouco mais de 10 anos afastado dela.

Eu lembro de Steve Jobs quando entro em um elevador e me deparo com um executivo que mal olha na minha cara ou quando vejo um deles entrando com ar triunfante no avião. Não que com Jobs seja diferente. Talvez ele seja até pior. Mas é que, me desculpe pelo termo, esses executivos não são bosta nenhuma! Ganham bastante dinheiro, provavelmente executam bem suas atividades, mas é só isso. Na primeira oportunidade, vão para uma empresa que lhes dará mais dinheiro e status.

Não considero isso errado. Não é. Mas, sinceramente, eu não conseguiria trabalhar assim. Falta o elemento principal: estar ali por amar o seu trabalho. É isso que Steve Jobs faz. A riqueza e o status vieram como uma mera consequência e, no final das contas, mal foram notadas, uma vez que nunca foram o seu objetivo principal.

Steve Jobs – Imagem por Wikipedia

Steve Jobs – Imagem por Wikipedia

Steve Jobs é obcecado pela perfeição. Sabe, mais do que ninguém, que o segredo da sofisticação está na simplicidade. É por isso que os produtos da Apple simplesmente funcionam. É por isso que os produtos da Apple têm design limpo (pode reparar), mas mesmo assim, são extremamente elegantes. É por isso que os produtos da Apple são desejados tanto por geeks quanto por pessoas “normais”.

Certa vez, numa coletiva de imprensa, lembro de ter visto o presidente da filial brasileira de uma importante multinacional se enrolar para responder uma pergunta. Estava na cara que ele não conhecia o produto. Para mim, também ficou evidente que ele é da turma do “dinheiro e status em primeiro lugar”. Steve Jobs, por sua vez, se envolve ao máximo com o que acontece na Apple. Nenhum produto da empresa chega ao mercado enquanto não contar com sua aprovação nos mais variados aspectos, nos mínimos detalhes.

Steve Jobs é do tipo que não se importa em reinventar a roda, desde que isso a faça girar melhor ou, ao menos, cause essa impressão em você. E quando a roda, além de girar melhor, te faz sentir incluído em uma atmosfera de modernidade e exclusividade, você não vai mais querer sair, mas vai sempre querer sentir a sensação de ser benvindo a ela. É por isso que dificilmente alguém fica apenas no seu primeiro iPod.

Pago para ver alguém da turma do “dinheiro e status em primeiro lugar” ter essa percepção.

Dica de livro: A Cabeça de Steve Jobs (preços no Shopping UOL).

Emerson Alecrim