Apagão digital: São Paulo sofre com pane na rede da Telefônica

ADSL FailUma pane no serviço de acesso à internet da Telefônica causou e está causando transtornos a milhares de pessoas e empresas em vários pontos do estado de São Paulo. Até o momento, não há informação clara do que está acontecendo, tampouco se tem qualquer previsão segura de quando o problema será solucionado.

A falha começou a ser notada na noite de ontem (02/07/2008). Pelo Twitter, constatei que várias pessoas estavam tendo lentidão ou queda de conexão no Speedy, serviço de banda larga via ADSL da Telefônica. Mas, o que aparentava ser um problema sem maiores conseqüências, se tornou o maior “apagão digital” que eu já vi em São Paulo. O Speedy parecia um bêbado: caia para se levantar e cair mais.

Hoje, às 5 da manhã, verifiquei o status do acesso à internet em meu roteador, que é configurado para estabelecer conexão automaticamente: Disconnected. Ao chegar na empresa em que trabalho, passei a me informar melhor sobre o problema, já que lá o acesso funcionava por ser oferecido por outra empresa. Daí é que tive noção da dimensão do problema.

Se s queda no acesso se limitasse ao serviço Speedy para uso doméstico, esse seria, dos males, o menor, já que boa parte dos usuários consegue alternativas temporárias de acesso à internet. No entanto, serviços essenciais à população também foram seriamente afetados, já que a pane na rede da Telefônica atingiu proporções muito maiores.

Devido à falta de acesso, a CET tem dificuldade em divulgar os informes de trânsito. As delegacias de polícia não conseguem emitir boletins de ocorrências. O serviço Poupatempo, que emite vários tipos de documentos ao cidadão, praticamente não funcionou. Várias agências bancárias deixaram de atender seus clientes. As comunicações do Detran, do Corpo de Bombeiros e até do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo de São Paulo) foram prejudicadas.

Ao ligar para a Telefônica (em torno das 15:45 de hoje), a informação que tive é a de que não há previsão para o serviço de acesso normalizar. Quando questionei sobre a causa do problema, a atendente se limitou a dizer que “o servidor saiu do ar e que a companhia está trabalhando com o máximo de urgência para solucionar a pane”. Também perguntei se os clientes atingidos serão ressarcidos pela falha. Por mais de uma vez a atendente disse que sim, mas eu tive a impressão de que ela só disse aquilo para se livrar logo de mim.

Aparentemente, o problema está nos servidores de DNS da Telefônica (se você não faz idéia do que é isso, dá uma olhada aqui). Muitos usuários (inclusive eu) conseguiram acessar determinados sites – embora de maneira instável – usando outros números de DNS, especialmente os oferecidos pela OpenDNS (208.67.222.222 e 208.67.220.220, respectivamente).

É claro que panes podem acontecer e acontecem, em qualquer lugar do mundo e em qualquer serviço de comunicação. Mas o problema é que esse tipo de falha não pode atingir proporções tão grandes. As conseqüências falam por si só: serviços à população afetados, empresas amargurando prejuízos pela dificuldade em enviar e receber informações (vide o exemplos das agências bancárias) e clientes residenciais que pagam – e caro – para ter acesso à internet com o mínimo de qualidade frustrados, principalmente porque muitos não contam com serviços concorrentes em sua região, portanto, têm que se contentar com o Speedy.

Pois bem, a lambança está feita e agora não resta outra coisa a não ser esperar para que o serviço de acesso se estabilize. Ah, é claro, é de se esperar também que a Telefônica dê uma explicação convincente para o que aconteceu. Eu, ao menos, vou exigir o ressarcimento das horas sem acesso, conforme a atendente da empresa me prometeu.

Agora, a pergunta que fica no ar, é: será que o governo de São Paulo – ou até mesmo a Anatel – tomará alguma providência?

Referência: O Globo.

Emerson Alecrim